Retomada econômica e medidas de estímulo ajudaram a reduzir desemprego, dizem analistas

Desemprego no Brasil ficou em 9,8% no trimestre encerrado em maio, menor taxa para o período desde 2015.

A queda do desemprego registrada no trimestre encerrado em maio pode ser explicada pelas medidas de estímulo lançadas pelo governo e a retomada das atividades econômicas, dizem especialistas.

De acordo com os dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o desemprego no Brasil no período ficou em 9,8%, menor taxa para o período desde 2015, quando foi de 8,3%.

A taxa surpreendeu o mercado, que projetava um resultado de 10,24% no período. Em relação ao trimestre anterior, de dezembro de 2021 a fevereiro de 2022, a taxa caiu 1,4 ponto percentual (p.p.). Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, a queda foi de 4,9 p.p. O pesquisador do FGV/Ibre Fernando Holanda avalia que o principal aspecto para a queda no número de desempregados é a retomada da atividade econômica.

“Esses três primeiros meses mostraram uma volta à normalidade. As atividades que mais puxaram o indicador para baixo foram o alojamento e alimentação – comer fora de casa e viajar, por exemplo. A parte de transportes foi muito influenciada pelas viagens aéreas. Além disso, o setor de cultura, que abrange o segmento da economia criativa, cresceu neste ano, que são atividades que demandam a proximidade entre as pessoas”.

Segundo o IBGE, o número de pessoas ocupadas atingiu 97,5 milhões, o maior da série histórica iniciada em 2012, e mostrou alta de 2,4% na comparação com o trimestre anterior, o que equivale a 2,3 milhões de pessoas a mais. Na comparação anual, a alta é de 10,6%, com 9,4 milhões de ocupados a mais no ano.

Rodolfo Margato, economista da XP, elenca um segundo ponto que também beneficiou os resultados do mercado de trabalho. Segundo o economista, as medidas de estímulos fiscais adotadas pelo governo “parecem ter surtido efeito sobre o comércio varejista e sobre alguns serviços”.

“Medidas de estímulo fiscal acabam puxando atividade doméstica no curto prazo, isso também se traduz em mais contratação de mão de obra. Inclusive, outras medidas que estão sendo discutidas no Congresso podem gerar um efeito líquido positivo no terceiro trimestre”.

O economista da LCA Bruno Imaizumi também destaca o impulso gerado pelas medidas de estímulo adotadas pelo governo, como a antecipação do 13º salário do INSS, os saques extraordinários do FGTS, a redução da bandeira tarifária de escassez hídrica e a desoneração fiscal de combustíveis, energia elétrica e comunicação.

“Isso de alguma forma tem ajudado a vermos números melhores na atividade e, consequentemente, no mercado de trabalho”, diz. De acordo com o economista, observando os dados de maio, o destaque é o aumento das carteiras assinadas – ocorrendo acima do Caged na média móvel de três meses -, mas também houve elevação dos postos informais no período.

Dados devem ser vistos com cautela

Ainda que a taxa de desempregados tenha atingido o menor número em sete anos, o economista Bruno Imaizumi lembra que o dado também reflete o não retorno ao mercado de trabalho, após a pandemia de Covid-19, de uma parcela da população, formada principalmente por mulheres e idosos.

“Quando comparamos maio com fevereiro de 2020, temos ainda 2,8 milhões de pessoas a mais fora da força de trabalho. São pessoas que não conseguiram retornar ao mercado”, afirma.

Além dessa perspectiva de análise, Rodolfo Margato pontua o rendimento como outro recorte que deve ser avaliado com cautela.

Ainda que o rendimento real médio subiu 0,5% em maio, marcando a quarta alta consecutiva. “O indicador ainda está rodando cerca de 7,5% abaixo dos níveis registrados antes da crise do coronavírus, como reflexo da inflação persistentemente alta e dos menores salários reais de admissão”, afirma.

Por sua vez, a massa de rendimento real – combina rendimento médio com população ocupada – cresceu 1,7% em maio. A variável situa-se cerca de 3,5% abaixo dos níveis observados antes da crise de saúde pública, porém mais de 5% acima do nível registrado no final de 2021.

Fernando Holanda, do FGV Ibre lembra que é preciso de um mercado de trabalho mais forte para que o rendimento aumente.

“Uma vez que a crise atinge a economia, observamos que as pessoas ficam dispostas a trabalhar por um salário menor. Então, elas aceitam empregos que pagam menos, e isso reduz a massa salarial. Isso já era, de certa forma, esperado, e é até um efeito natural do que acontece em um ajuste, ainda mais em uma crise forte que foi a pandemia.”

Perspectivas

Os especialistas avaliam os resultados observados nesta quinta-feira tendem a alterar as projeções para o final de 2022. Segundo Bruno Imaizumi, a expectativa da LCA era para uma taxa de 9,8%, “mas provavelmente deve ficar mais baixa”.

O economista pondera que a taxa mais baixa não necessariamente significa um mercado de trabalho melhor. “A taxa de desemprego talvez permaneça por muito tempo em um patamar mais baixo, mas isso não vai estar refletindo a situação melhor do mercado de trabalho”, diz. “Muitas pessoas que deixaram o mercado durante a pandemia talvez não retornem”.

Ainda que exista o elemento surpresa do resultado do trimestre encerrado em maio, pode não ser uma tendência duradoura, segundo os especialistas.

Para Holanda, as medidas de combate à inflação podem desacelerar a economia e, consequentemente, interromper a sequência de melhora na taxa de desemprego para o segundo semestre.

O pesquisador do FGV Ibre ainda pontua que as medidas de estímulo trazem um “choque positivo” na demanda e no aumento de renda. No entanto, isso também fará com que o remédio contra a inflação, ou seja, o aumento na taxa básica de juros, seja elevado.

Na projeção de Rodolfo Margato, da XP, a taxa de desemprego brasileira atingirá cerca de 9% ao final de 2022 (na série com ajuste sazonal), levando em conta uma leve piora no quarto trimestre. “No que diz respeito à taxa média anual de desemprego, estimamos em 10,3%”.

Fonte: CNN BRASIL

Brasil tem primeira alta mensal de mortes por Covid desde fevereiro, mas com baixa letalidade, apontam secretarias de Saúde

Foram 4.739 mortes registradas em junho, contra 3.176 em maio. Letalidade para os últimos 6 meses, entretanto, é a menor para um semestre desde o início da pandemia; especialistas destacam necessidade de dose de reforço, máscaras e pedem cautela com análise.

O Brasil registrou, em junho de 2022, 4.739 mortes pela Covid-19, em uma alta de 49,2% em relação a maio. É a primeira vez que o número de óbitos pela doença aumenta de um mês para outro desde fevereiro.

Os dados foram apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país.

Nesta reportagem, você vai ver que:

– o Brasil apresentou a primeira alta mensal de mortes desde fevereiro. Por causa da grande quantidade de casos, entretanto, o índice de letalidade caiu;

– o frio, o aumento das aglomerações e a retirada das máscaras são apontados como motivos para o aumento de casos;

– há bastante desigualdade regional na vacinação;

– é importante tomar a dose de reforço para evitar complicações;

– a Covid é uma doença que pode causar, além da morte, sintomas por um longo período (Covid longa), e, por isso, a proporção mortes/casos não é a única que deve ser analisada;

– pelo mesmo motivo, o vírus continua sendo uma ameaça à saúde, e devemos continuar as medidas de proteção.

Queda no índice de letalidade

Apesar do aumento de mortes em número absoluto, a letalidade da doença – número de mortes em relação ao número de casos conhecidos – caiu de um mês para o outro. Isso porque maio registrou pouco mais de 570 mil casos da doença, enquanto junho teve mais de 1,3 milhão de casos.

O professor Eliseu Alves Waldman, do Departamento Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), explica que o aumento absoluto nas mortes já era esperado, exatamente por causa do aumento expressivo do número de casos.

A letalidade da Covid para os últimos 6 meses também foi a menor para um semestre desde o início da pandemia.

Ao mesmo tempo em que os números oficiais apontam o aumento dos casos (veja detalhes abaixo) e uma queda na letalidade, os especialistas ouvidos pelo g1 também ponderam que, hoje, é mais difícil fazer análises com esses dados, por causa dos autotestes.

Para Beatriz Klimeck, antropóloga e doutoranda em Saúde Coletiva na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), os autotestes, apesar de terem sido uma contribuição positiva, trouxeram consigo uma subnotificação de casos ainda maior do que a que já era vista em outras fases da pandemia.

“Mas ele gera uma subnotificação gigantesca: não teve um esforço de fazer alguma forma de notificação obrigatória ou voluntária, mas que funcionasse, então a gente sabe que esse número [de casos] é muito defasado. A gente pode falar de um número muito maior de casos reais – pessoas que testaram positivo, [que o teste] deu reagente e que não foram notificadas para o sistema de saúde“, ressalta a pesquisadora.

Aumento de casos

Para Waldman, o aumento nos casos nos últimos meses deve-se, principalmente, à sazonalidade – a chegada do outono e do inverno traz o aumento da circulação de vírus respiratórios, como o Sars-CoV-2 – e, também, à retomada de eventos sociais com aglomerações e sem o uso da máscara.

“Festas juninas voltaram e as atividades sociais, festas, casamentos, voltaram sem cuidados aparentes. Isso contribui, além da sazonalidade, para intensificar um pouco mais a atual onda. Nós temos que nos convencer que vamos ter que continuar tendo cuidado por um bom tempo”, avalia Waldman.

O epidemiologista também levanta a hipótese de que estejamos entrando numa fase endêmica da Covid-19: a previsão dele é de que se repita o que foi visto no ano passado – um aumento de casos até o final de julho, uma estabilização e, no fim de agosto, uma diminuição.

Ele pontua, ainda, a existência de outros vírus respiratórios – como o da gripe aviária e o da varíola dos macacos – que estão circulando ao mesmo tempo que o Sars-CoV-2 e que podem se tornar ameaças no futuro.

“A gripe aviária vive rondando a gente. De uma hora pra outra, você pode ter adaptação [do vírus], e aí vamos ter problemas. A varíola dos macacos deve ficar endêmica – nada indica que não vai ter mais essa doença no rol de doenças endêmicas. A partir do final do ano, provavelmente vai ser mais uma doença que vai ter que lidar”, diz.

O boletim da Fiocruz de 23 de junho sobre síndrome respiratória aguda grave (SRAG) aponta que, neste ano, cerca de 82% dos casos de SRAG foram causados pela Covid-19. Outros 9,3% foram causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR), 5,1% pela Influenza A e 0,1%, pela Influenza B.

Nas 4 últimas semanas epidemiológicas, a Covid foi responsável por 81% dos casos de SRAG.

Um outro fator são as subvariantes da ômicron, ainda mais transmissíveis do que ela – que já era mais transmissível que a variante original do coronavírus.

Sequelas e medidas preventivas

Um ponto importante para entender os impactos da Covid no país é lembrar que a doença, mesmo que não leve à morte, pode trazer sequelas que afetam a saúde a curto, médio e longo prazo.

“Desde sequelas imediatas como sequelas posteriores – de, meses depois, o seu corpo ter ficado debilitado por conta daquela tempestade inflamatória e, aí, desenvolver alguma coisa. É uma coisa que a gente tá vendo muito – sequelas cardiovasculares, respiratórias”, lembra.

“As pessoas estão saindo do isolamento ainda transmitindo; a gente sabe que elas estão sendo incentivadas a não usar mais as máscaras, a única proteção que a gente tinha. E o vírus tem absoluta liberdade para circular. Para isso virar uma outra variante, mais significativa, mais importante, para isso levar à maior parte da população com sequelas, é muito simples”, avalia Klimeck.

“E ele, apesar de ter diminuído imensamente o número de mortes, ainda não é um vírus que não oferece risco para nossa saúde. Pelo contrário: ele continua sendo um vírus muito complexo, que leva a processos complexos dentro do corpo, de inflamação, que a gente ainda nem consegue entender. Então, é sempre importante dizer que a gente não transformou a Covid numa gripezinha“, lembra.

“Seria ótimo se tivesse acontecido, mas isso ainda não aconteceu – e não é porque o número de mortes está lá embaixo, felizmente, por causa das vacinas, que a gente chegou em um momento em que o vírus não é mais perigoso, não ameaça mais a nossa existência”, conclui.

Desigualdade vacinal

A queda na letalidade da Covid, mesmo com o aumento dos casos, também não ocorreu por acaso: a vacinação, que começou em janeiro de 2021, foi sendo ampliada ao longo do ano passado.

Mesmo assim, menos da metade da população brasileira, cerca de 47%, já recebeu a 3ª dose da vacina (primeira dose de reforço). Além disso, a cobertura vacinal varia muito entre os estados. “Agora, a vacinação não pode ser considerada apenas aquele esquema primário. Dependendo da faixa etária, você tem que ter 3 doses – o esquema primário mais uma dose de reforço –, e, dependendo da faixa etária, você tem que ter o esquema primário e 2 doses de reforço”, reforça a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

A pesquisadora aponta que, apesar de já estar comprovado cientificamente que a 3ª dose aumenta significativamente a proteção, a falta de informação e de comunicação com a população faz com que as pessoas achem que não precisam do reforço.

Em uma nota técnica divulgada no dia 29, a Fiocruz apontou que a estagnação na cobertura vacinal e a desigualdade entre os estados ameaçam o combate à Covid-19.

Os dados levantados pela fundação mostraram, por exemplo, que a cobertura do esquema primário (duas doses) e até da primeira dose sozinha é menor nas cidades do Centro-Oeste e Norte; nesses lugares, apenas cerca de 50% da população recebeu a primeira dose de reforço.

Já São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraíba, Bahia e os estados do Sul apresentam maior cobertura. A diferença também foi observada na cobertura de adolescentes de 12 a 17 anos.

Outros países

Fiocruz também apontou, no documento, que a estagnação da cobertura vacinal não ocorreu apenas no Brasil.

No Chile, por exemplo, a cobertura com as duas primeiras doses estacionou em 87%; já na África do Sul, o índice é de apenas 32%. Na Coreia do Sul e no Vietnã, a estagnação ocorreu em 81% da população; já Uruguai e Argentina atingiram um platô de cerca de 72% da população vacinada com o esquema primário, e o México, de 57%.

Nos Estados Unidos, cerca de 67% da população recebeu o esquema primário das vacinas. Já no Brasil, o índice da população vacinada com 2 doses ou dose única (esquema primário) é de 78%.

Outros países além do Brasil – incluindo os EUA – enfrentam alta de mortes, como Rússia, Itália e China, segundo o último relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS).

No entanto, Eliseu Waldman, da USP, avalia que é difícil fazer comparações com outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a hesitação e a recusa em se vacinar são consideravelmente maiores do que no Brasil.

Outros fatores que contribuem para variações nos cenários são o grau de desenvolvimento e distribuição da riqueza em um país e o acesso e a qualidade dos serviços de saúde – principalmente da assistência hospitalar para formas graves da Covid.

Fonte: G1

Quem é o jovem holandês que promete ser capaz de limpar 80% do lixo do oceano até 2030

Boyan Slat decidiu se dedicar à limpeza do mar aos 16 anos e atualmente comanda uma ONG com projetos em alto mar e em rios de vários lugares do mundo. Ele diz que gostaria de atuar também no Brasil. Sua organização afirma ter equipamentos para limpar 80% do lixo plástico até 2030 e 90% até 2040.

O holandês Boyan Slat tinha 16 anos quando, em uma viagem para fazer mergulho submarino na Grécia, encontrou mais sacolas plásticas do que peixes no mar. Da experiência ele tirou inspiração para criar um dispositivo que recolhe o lixo plástico do oceano.

Hoje com 27 anos, Boyan virou CEO da iniciativa The Ocean Cleanup, que garante ter meios para retirar 80% do plástico no mar até 2030, e cerca de 90% até 2040. A promessa consta em uma carta enviada pelo jovem à organização da Conferência do Oceano da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontece em Lisboa até esta sexta-feira (1).

Com a criação, o ativista ganhou fama: em 2014 ele recebeu o título de “Campeão do Planeta” da ONU, o que lhe rendeu a aparição em diversas listas de jovens promissores, como a Forbes 30 Under 30 e a da revista Time. No site da iniciativa que ele comanda, há detalhes sobre o sistema de limpeza, mas também são vendidas camisetas e garrafas reutilizáveis com sua marca – Boyan virou quase uma celebridade.

O principal sistema criado por ele funciona como uma espécie de barragem móvel, que é levada por dois barcos. Esse coletor de lixo vai se enchendo conforme os barcos avançam a uma velocidade determinada, e conforme o plástico vai se movendo por conta das correntes marítimas.

Quando fica cheia, essa espécie de rede é fechada, selada e levada até o barco, onde é descarregada. Depois que os navios que operam o sistema ficam cheios de plástico, o lixo é levado até um centro de reciclagem em terra firme.

Para encontrar os locais ideais para limpeza, a ONG utiliza modelos matemáticos que preveem em quais lugares do oceano o plástico tem mais chances de se acumular.

Além deste sistema de coleta no mar, a ONG comandada pelo holandês também desenvolveu um equipamento movido a energia solar para retirar o lixo dos rios antes mesmo que ele chegue até o oceano.

Chamados de “interceptores”, esses equipamentos também funcionam criando barreiras para o lixo plástico. Atualmente, a ONG já tem dez dessas sistemas funcionando em rios de diferentes lugares do mundo, da Jamaica à Indonésia, passando por países como Malásia e República Dominicana.

Sistema em ação

Boyan Slat tinha apenas 18 anos quando inventou, em 2013, o primeiro protótipo do sistema de limpeza dos mares. Logo depois, em 2014, ele recebeu um prêmio da ONU e começou a ganhar reconhecimento. Foi nessa época que ele passou a atrair investidores para o seu projeto, que atualmente incluem nomes como a banda Coldplay e a fabricante de refrigerantes The Coca-Cola Company.

Apesar disso, as primeiras operações de limpeza começaram apenas em 2018, quando a The Ocean Cleanup testou o equipamento System 001. Depois, em 2019, uma evolução do mesmo sistema fez a primeira extração de plástico na região conhecida como a Grande Ilha de Lixo do Pacífico. Desde então, o System 001 evoluiu para System 002 – conhecido também como Jenny – para realizar algumas operações de limpeza pontuais ao longo dos anos de 2021 e 2022.

Agora, o plano ambicioso da ONG é chegar a 10 sistemas em operação na região do Oceano Pacífico que mais concentra lixo plástico, e dobrar o número de equipamentos em funcionamento em rios a cada ano.

Seus planos de expansão incluem o Brasil porque, segundo ele, o país é um dos que tem mais rios com potencial para a remoção do lixo plástico.

“Certamente há muito trabalho para ser feito no Brasil, e nós adoraríamos trabalhar com empresas locais e governos para tentar levar os interceptores para os rios do Brasil também”, afirmou.

“É um bom investimento para os governos porque é muito mais caro limpar esse lixo na costa, depois que ele já afetou as praias e o turismo, do que simplesmente coletar enquanto ele ainda está nos rios”, completou.

Redução do lixo

A criação de Boyan é focada em meios para retirar o lixo que já está no mar, mas o próprio inventor reconhece que é necessário pensar também em estratégias para evitar que a produção de plástico se mantenha nos níveis atuais. Segundo a ONU, 89% do lixo plástico encontrado no mar vem de itens de uso único, como sacolas de plástico e embalagens.

De acordo com os dados mais recentes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o montante de plástico no oceano é estimado em algo entre 75 e 199 milhões de toneladas. Esse lixo afeta mais de 800 espécies marinhas e costeiras, seja pelo risco de emaranhamento no lixo, seja por mudanças no seu habitat.

Por conta disso, as discussões da Conferência do Oceano da ONU têm sido focadas na redução do uso de plástico e, a longo prazo, na completa substituição deste material, e não em iniciativas de limpeza pontuais como a que foi criada por Boyan.

Uma das iniciativas é o chamado Compromisso Global da Nova Economia do Plástico, que foi reconhecido por 22 novos países durante a conferência. Entre os novos signatários do acordo há ainda governos locais, como os dos estados de São Paulo, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, que juntos reúnem quase a metade da população brasileira.

Conferência do Oceano

Responsável por cobrir mais de 70% da área do planeta, o oceano é essencial para a manutenção da vida na Terra, mas sua saúde está em perigo – este alerta é o principal foco da Conferência do Oceano da ONU, que ocorre em Portugal até esta sexta (1º).

O evento reúne delegações de diversos países para promover o desenvolvimento de ações concretas, tanto de países como de instituições privadas, para que as metas da Agenda 2030, também conhecidas como Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), sejam atingidas. No caso do oceano, trata-se do ODS 14, Vida no Mar, que inclui compromissos como a de reduzir significativamente a poluição marinha até 2025.

Além de fornecer alimento e trabalho, o oceano também tem um papel fundamental na regulação climática do planeta: é ele que garante que a temperatura da Terra fique em níveis adequados para a sobrevivência de diversas espécies, inclusive o homem.

Mas, por conta da ação humana, os mares têm sofrido diversos desafios, que passam pelo aumento da poluição, causada principalmente por plásticos, e também pela elevação da acidez da água, provocada pela alta nas emissões de carbono na atmosfera.

Esta reportagem foi produzida no âmbito da 2022 UN Ocean Conference Fellowship, organizada pela Earth Journalism Network da Internews com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian (Reino Unido).

Fonte: G1

Substância achada em bactéria da Amazônia pode inovar tratamento de câncer e impedir a metástase

Estudo brasileiro aponta possível capacidade do pigmento, encontrado no rio Negro, de bloquear a migração das células tumorais para outras partes do corpo.

Um estudo recente realizado por uma estudante de doutorado da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) aponta que uma substância natural produzida por uma bactéria originária do rio Negro, no Amazonas, pode ser promissora no combate ao câncer ao evitar a metástase (espalhamento para outras partes do corpo) de tumor colorretal.

Por anos, estudiosos dedicam esforços para entender a atuação da violaceína, produzida pela bactéria Chromobacterium violaceum, no auxílio do combate ao câncer. O laboratório da universidade já estudou a ação da violaceína em diversos tipos de câncer, como a leucemia, próstata, pâncreas e mama.

Recentemente, a doutoranda do Instituto de Biologia da Unicamp Patrícia Fernandes de Souza identificou a capacidade do pigmento de impedir o agravamento do câncer colorretal.

Orientada pela professora de bioquímica do instituto Carmen Veríssimo Ferreira-Halder, elas descobriram que a violaceína tem a habilidade de diminuir ou bloquear a ação de algumas proteínas que possibilitam o crescimento do tumor, a metástase e a resistência ao tratamento.

“De alguma forma, a violaceína acaba desligando vias ou rotas metabólicas que são importantes para manter o tumor vivo e, muitas vezes, manter o tumor agressivo”, conta a professora.

O estudo busca identificar os principais agentes do tumor que ocasionam a piora dos quadros clínicos para, futuramente, desligá-los e fornecer informações relevantes para o desenvolvimento de remédios.

A violaceína e o câncer colorretal

De acordo com dados estimados pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer), o segundo tipo de câncer mais incidente, tanto em homens quanto em mulheres, é o colorretal. Apesar disso, segundo a doutoranda, a maioria dos pacientes é assintomático e descobre o tumor em um estado avançado da doença, o que dificulta o tratamento.

Pensando nisso, o estudo detalha, principalmente, a via que permite que uma célula tumoral se torne invasiva, processo denominado transição epitélio-mesênquima. Quando ela ganha esta capacidade, consegue invadir diferentes locais e migrar para outros órgãos, ocasionando a metástase.

A partir de modelos que imitam tumores humanos, chamados de esferoides, a pesquisa constatou que a violaceína consegue bloquear esta transformação e induzir aquela célula tumoral à morte por apoptose – tipo de eliminação que é o mais indicado, pois destrói a célula sem causar uma reação impactante ao paciente, como uma resposta inflamatória.

Em laboratório, a equipe utilizou um método – fator de crescimento, chamado TGF-β – que estimulou a transformação da célula de câncer colorretal em uma com capacidade de migração, ou seja, com características metastáticas. Até mesmo neste caso, a violaceína conseguiu bloqueá-la.

“Nós tivemos a ideia de mimetizar o que acontece em seres vivos, porque esse TGF-β está presente no nosso organismo”, explica a doutoranda.

Aumento da eficácia de medicamentos

A pesquisa constatou ainda que a combinação da violaceína com o quimioterápico 5-fluorouracil, muito utilizado em tratamentos, melhorou a ação do medicamento e diminuiu as doses necessárias de duas a cinco vezes.

“Nós observamos que quando a gente trata essa célula com violaceína e com o quimioterápico, foi necessária uma dose menor para conseguir observar o efeito de inibição da proliferação da célula e também na impulsão da morte das células por apoptose”, detalha a professora.

A habilidade da violaceína de induzir a morte celular por apoptose também é um facilitador para o desenvolvimento de quimioterápicos. Um dos grandes desafios do tratamento de pacientes com câncer, segundo a orientadora do estudo, é combinar o efeito terapêutico com a qualidade de vida.

A maioria dos quimioterápicos tem efeitos colaterais fortes e a diminuição das doses pode significar uma redução das reações, além do aumento da qualidade de vida do paciente.

Próximos avanços

Os próximos avanços do estudo da doutoranda procurarão entender mais detalhadamente a forma de atuação e o porquê da violaceína ocasionar o declínio das proteínas associadas à metástase.

O grupo também irá aprofundar os estudos na utilização das doses e realizar testes com diferentes quimioterápicos. A linha de pesquisa do laboratório da universidade consegue avaliar as vias metabólicas, identificar proteínas importantes e a forma de atuação da violaceína nelas. Entretanto, para além destas informações, há a necessidade de modelos mais completos.

Os protótipos que já foram utilizados no estudo serviram para respaldar o próximo grande passo: o teste em animais.

“Com tudo que já temos comprovado, o passo seguinte é tratar animais”, informa o professor convidado do Instituto de Biologia da Unicamp Nelson Eduardo Duran.

E acrescenta: “Em alguns casos, nós já temos dados preliminares do tratamento em animais com violaceína, que ainda estão sendo analisados, mas tudo indica que realmente funciona muito bem”.

Contribuíram também para o desenvolvimento do estudo os doutores Alessandra Faria, Stefano Clerici, Erica Akagi, os professores Giselle Justo (UNIFESP) e Hernandes Carvalho (UNICAMP) e os assistentes técnicos Dra. Cláudia Soraggi e Luís Henrique Ribeiro (UNICAMP). As agências CAPES, CNPq e FAPESP financiaram a pesquisa (artigo publicado em J Cell Biochem. DOI: 10.1002/jcb.30295).

*Estagiária do R7 sob supervisão de Fernando Mellis

Fonte: R7

Vacinação contra gripe pode reduzir em 40% o risco de Alzheimer, aponta estudo

Pesquisas futuras devem avaliar se a vacinação contra a gripe também está associada à taxa de progressão dos sintomas em pacientes que já apresentam Alzheimer.

Pessoas que receberam pelo menos uma dose da vacina contra a gripe tiveram 40% menos probabilidade de desenvolver a doença de Alzheimer, ao longo de quatro anos, em comparação com não vacinados. É o que revela um novo estudo da UTHealth Houston, dos Estados Unidos.

A pesquisa comparou o risco de incidência da doença neurodegenerativa entre pacientes com e sem vacinação prévia contra a gripe em uma grande amostra nacional de adultos dos Estados Unidos com 65 anos ou mais.

Os resultados preliminares do estudo foram divulgados online de maneira antecipada. A versão final da pesquisa será publicada em agosto no periódico científico Journal of Alzheimer’s Disease.

“Descobrimos que a vacinação contra a gripe em adultos mais velhos reduz o risco de desenvolver a doença de Alzheimer por vários anos. A força desse efeito protetor aumentou com o número de anos que uma pessoa recebeu uma dose anual contra a gripe – em outras palavras, a taxa de desenvolvimento de Alzheimer foi mais baixa entre aqueles que receberam consistentemente a vacina contra a gripe todos os anos”, disse o pesquisador Avram S. Bukhbinder, primeiro autor do estudo, em comunicado.

Segundo o especialista, pesquisas futuras devem avaliar se a vacinação contra a gripe também está associada à taxa de progressão dos sintomas em pacientes que já apresentam Alzheimer.

O estudo ocorre dois anos depois que os pesquisadores da UTHealth Houston encontraram uma possível ligação entre a vacina contra a gripe e a redução do risco de doença de Alzheimer. A nova pesquisa analisou uma amostra maior do que as investigações anteriores, incluindo 935.887 pacientes vacinados contra a gripe e 935.887 pacientes não vacinados.

Durante as consultas de acompanhamento de quatro anos, cerca de 5,1% dos pacientes vacinados contra a gripe desenvolveram a doença de Alzheimer. Enquanto isso, 8,5% dos pacientes não vacinados desenvolveram o agravo durante o acompanhamento.

Para os especialistas, os resultados encontrados ressaltam o forte efeito protetor da vacina contra a gripe contra a doença de Alzheimer. No entanto, os mecanismos associados a este processo requerem um estudo mais aprofundado.

“Como há evidências de que várias vacinas podem proteger da doença de Alzheimer, estamos pensando que não é um efeito específico da vacina contra a gripe”, disse Paul. E. Schulz, professor de neurologia da McGovern Medical School. “Em vez disso, acreditamos que o sistema imunológico é complexo, e algumas alterações, como a pneumonia, podem ativá-lo de forma a piorar a doença de Alzheimer. Mas outras coisas que ativam o sistema imunológico podem fazê-lo de uma maneira diferente – uma que protege da doença de Alzheimer”, completa.

Estudos anteriores descobriram um risco reduzido de demência associado à exposição prévia a várias vacinas para adultos, incluindo as de tétano, poliomielite e herpes, além da vacina contra a gripe e outras.

Sobre a doença

A doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que caracterizado pela deterioração cognitiva e da memória. Os sintomas incluem o comprometimento progressivo das atividades cotidianas e uma variedade de manifestações neuropsiquiátricas e de alterações comportamentais.

O quadro clínico está associado ao processamento errado de certas proteínas do sistema nervoso central, o que leva ao surgimento de fragmentos de proteínas mal cortadas, tóxicas, dentro dos neurônios e nos espaços que existem entre eles.

Como consequência, há perda progressiva de neurônios em regiões do cérebro, como o hipocampo, que controla a memória, e o córtex cerebral, essencial para a linguagem e o raciocínio, memória, reconhecimento de estímulos sensoriais e pensamento abstrato. Os sintomas da doença exigem cuidado integral às pessoas com Alzheimer.

No Brasil, estima-se que existam 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico e, no mundo, cerca de 35,6 milhões de pessoas são diagnosticadas com a doença de Alzheimer.

Fonte: CNN BRASIL

Custo com energia e gás é mais de 30% do preço do pão, carne e leite

Brasileiros pagam duas vezes por eletricidade e gás natural: nas contas mensais e no valor embutido nos produtos que consomem.

Além do que é preciso para fazer funcionarem as lâmpadas, eletrodomésticos, chuveiros, fogões, fornos e aquecedores, os brasileiros consomem energia elétrica e gás natural indiretamente, incorporados na produção das mais diversas mercadorias. O gás que a padaria usa para assar os pãezinhos e bolos, a eletricidade que mantém a carne fresca no frigorífico, e a energia necessária para fabricar calçados e produtos de limpeza, por exemplo, estão embutidos nos preços desses itens, e têm impacto significativo no orçamento das famílias.

No caso do leite, para se ter uma ideia, do preço que o consumidor paga, 31,3% são referentes ao gasto com a energia usada no processo de produção, ou seja, quase um terço do valor total.

Para conhecer o verdadeiro reflexo do preço da energia nos produtos que os brasileiros consomem, a Abrace (Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres) encomendou o estudo técnico “Os impactos dos preços da energia elétrica e do gás natural no crescimento e desenvolvimento econômico”, à Ex Ante Consultoria Econômica, divulgado nesta terça-feira (14).

O principal interesse da entidade foi verificar o peso do encarecimento da energia elétrica e do gás natural no consumo final das famílias, já que essas são duas importantes fontes de energia usadas na produção de mercadorias. Também foi estudado o impacto da alta das tarifas no orçamento familiar e sobre os custos de produção da indústria brasileira.

Segundo a Abrace, entre 2000 e 2019, a tarifa residencial de energia elétrica acumulou variação de 276,7%, e o custo do gás de botijão cresceu 260,7%, considerando dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A eletricidade e o gás usado em casa, entretanto, são apenas uma parte da energia necessária para atender às famílias brasileiras. É preciso contabilizar também o que está embutido nos bens e serviços consumidos. No café da manhã, além do leite, o pãozinho é o item em que mais pesa o aumento das contas de energia: 31% do preço final do pão é devido à energia e ao gás usados no processo de produção. Para a manteiga, o queijo e o iogurte, o peso da energia no preço final é de 26,2%. Esse repasse, segundo a Abrace, é inevitável.

O impacto da energia no preço das carnes é de 33,3%. Do preço final da cesta básica, ela representa 23,1%, considerando pescados, laticínios e farináceos.

Mas o reflexo direto do custo da energia sobre os preços não se limita à cesta básica. Ele é observado em itens do material escolar, peças do vestuário, bens de consumo duráveis e materiais de construção, como pode ser visto na tabela acima.

Desigualdade

O estudo mostra que as famílias com menor poder aquisitivo gastam relativamente mais com energia: em 2018, para as pessoas que recebiam salários de até R$ 1.908 por mês, as contas de luz e gás e as despesas com combustíveis correspondiam a 9,1% da renda total. Somando a energia contida nas mercadorias e serviços, as despesas totais se aproximam de 17,9% da renda familiar.

Para as famílias com renda mensal superior a R$ 1.908 e de até R$ 2.862, o gasto direto com energia, gás e combustível em 2018 comprometia 8,2% do orçamento, enquanto o custo total é calculado em 18%. Para a faixa com salário entre R$ 2.862 e R$ 5.724, os valores são 8,1% e 18,3%; para quem recebe entre R$ 5.724 e R$ 9.540, o gasto direto é de 7,2%, e o total fica em 17,9%.

A faixa de renda seguinte é das famílias que recebem entre R$ 9.549 e R$ 14.310, para as quais se calcula um gasto direto de 6,3% com energia, gás e combustível, e total de 17,4%. Depois, para quem ganha mensalmente de R$ 14.310 a R$ 23.850, os valores são 4,9% e 16,50%. Por fim, para rendas acima de R$ 23.850, o gasto direto com energia, gás e combustível é de 3,5% dos ganhos, enquanto o gasto total é de 15,4%.

Para a indústria

O aumento das despesas com energia contribuiu para acentuar a crise industrial e diminuiu o dinamismo do crescimento econômico. A queda da produção industrial conteve a taxa de expansão do PIB e reduziu a demanda por bens e serviços intermediários não produzidos, deixando de gerar renda e emprego.

Segundo o estudo, chama atenção o fato de que a indústria teve evolução desfavorável do custo unitário com energia elétrica. Entre 2000 e 2021, esse índice passou de R$ 100 para quase R$ 1.100, registrando um aumento de, aproximadamente, 1.084% em 21 anos. O custo unitário com gás natural da indústria brasileira teve variação acumulada de 1.894%, em 21 anos.

O processo de encarecimento da energia levou a perdas de produção e a uma redução intensa do investimento, com impacto sobre o crescimento econômico e a inflação.

Fonte: R7

Teste dos 10 segundos numa perna só mostra se sua saúde vai bem

Um teste de equilíbrio simples, como ficar numa perna só por apenas 10 segundo, pode determinar se a saúde de pessoas de meia-idade e idosos vai bem.

Cientistas brasileiros da Clinimex Medicina do Exercício, no Rio de Janeiro, concluíram após anos de estudo, que um teste de equilíbrio simples e seguro deve se tornar parte de um exame de saúde de rotina para adultos mais velhos. O estudo foi publicado no British Journal of Sports Medicine.

Pessoas de meia-idade incapazes de ficar nessa posição por esse período têm quase duas vezes mais chances de morrer na próxima década, de acordo com uma nova pesquisa. Por isso o teste, aparentemente simples, serve para ajudar na prevenção.

Exame de Rotina

Ao contrário da aptidão aeróbica, força muscular e flexibilidade, o equilíbrio tende a ser razoavelmente bem preservado até a sexta década de vida, quando começa a diminuir de forma relativamente rápida.

No entanto, o teste de equilíbrio normalmente não é incluído nos exames de saúde de pessoas de meia-idade e idosos, possivelmente porque não há um teste padronizado e há poucos dados concretos que o vinculem a lesões ou doenças além da queda, disseram os pesquisadores.

A equipe de pesqsuisadores queria saber se um teste de equilíbrio pode ser um indicador confiável do risco de morte de uma pessoa por qualquer causa na próxima década e se um teste deve, portanto, ser incluído nos exames de saúde de rotina.

Estudo

Eles usaram participantes do estudo CLINIMEX Exercise, que foi criado em 1994 para avaliar as ligações entre várias medidas de aptidão física e o risco de problemas de saúde e morte por problemas cardiovasculares.

O estudo atual incluiu mais de 1.700 participantes com idades entre 51 e 75 anos (idade média de 61 anos) em seu primeiro check-up, entre fevereiro de 2009 e dezembro de 2020. Cerca de dois terços (68%) eram homens.

Peso e várias medidas de espessura de dobras cutâneas mais o tamanho da cintura foram tomadas, assim como detalhes da história médica. Apenas aqueles com marcha estável foram incluídos.

O teste dos 10 segundos

Como parte do check-up, os participantes foram solicitados a ficar em uma perna por 10 segundos sem nenhum apoio adicional.

Eles foram solicitados a colocar a frente do pé livre na parte de trás da perna oposta, mantendo os braços ao lado do corpo e o olhar fixo à frente. Até três tentativas em cada pé foram permitidas.

Cerca de um em cada cinco (348 no total ou 20,5 por cento) não passou no teste e isso aumentou em conjunto com a idade, mais ou menos dobrando em intervalos de cinco anos de 51 a 55 anos.

Entre os 51-55, quase cinco por cento falharam; para pessoas de 56 a 60 anos, oito por cento; para pessoas de 61 a 65 anos, 18%; e para pessoas de 66 a 70 anos, 37%.

Mais da metade das pessoas com idades entre 71 e 75 anos não conseguiu completar o teste, o que significa que as pessoas nessa faixa etária tinham mais de 11 vezes mais chances de falhar do que aquelas 20 anos mais jovens.

Durante um período de monitoramento de sete anos, 123 (sete por cento) pessoas morreram.

Doenças

Essas mortes incluíram: câncer (32%), doenças cardiovasculares (30%), doenças respiratórias (nove por cento) e complicações do COVID (sete por cento).

Não houve tendências temporais claras nas mortes, ou diferenças nas causas, entre aqueles capazes de completar o teste e aqueles que não puderam fazê-lo.

No entanto, a proporção de mortes entre aqueles que falharam no teste foi significativamente maior: 17,5% contra 4,5%, uma diferença absoluta de pouco menos de 13%.

Em geral, aqueles que falharam tinham uma saúde pior. Muitos eram obesos e/ou tinham doenças cardíacas, ou tinham pressão alta e muita gordura no sangue.

O diabetes tipo dois foi três vezes mais comum nesse grupo, cerca de 38% contra 13% naqueles que passaram no teste.

Risco de morte

Depois de contabilizar idade, sexo e condições subjacentes, a incapacidade de ficar sem apoio em uma perna por 10 segundos foi associada a um risco aumentado de 84% de morte por qualquer causa na próxima década.

“Este é um estudo observacional e, como tal, não pode estabelecer a causa”, disse o autor do estudo, Dr. Claudio Gil Araujo, da Clinimex Medicina do Exercício, Brasil.

“Como os participantes eram todos brasileiros brancos, as descobertas podem não ser mais amplamente aplicáveis ​​a outras etnias e nações. E informações sobre fatores potencialmente influentes, incluindo histórico recente de quedas, níveis de atividade física, dieta, tabagismo e uso de drogas que podem interferir no equilíbrio, não estavam disponíveis”.

“O teste de equilíbrio de 10 segundos fornece feedback rápido e objetivo para o paciente e profissionais de saúde em relação ao equilíbrio estático”, acrescentou o Dr. Araujo. “O teste adiciona informações úteis sobre o risco de mortalidade em homens e mulheres de meia-idade e idosos”.

Com Informações do GNN

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Fonte: SóNotíciaBoa

Terremoto de magnitude 6,1 no Afeganistão deixa mais de 950 mortos e dezenas de feridos

País está localizado na junção das placas tectônicas da Eurásia e da Índia, o que provoca desastres naturais com alguma frequência.

Mais de 950 pessoas morreram e cerca de 600 ficaram feridas após um terremoto de magnitude 6,1 atingir o sudeste do Afeganistão nesta quarta-feira (22), segundo autoridades afegãs. Acredita-se que o número de mortos é maior do que o divulgado neste que é o pior terremoto enfrentado pelo país desde 2002.

“O número de mortos deve aumentar, já que algumas vilas estão em áreas remotas nas montanhas e leva-se algum tempo para coletar detalhes”, disse há pouco Salahuddin Ayubi, ministro do Interior do governo afegão.

O terremoto de magnitude 6,1 ocorreu a uma profundidade de 10 km, por volta de 1h30 desta quarta-feira, perto da fronteira com o Paquistão, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

Um segundo terremoto, de magnitude 4,5, sacudiu outra região próxima ao mesmo tempo, de acordo com o USGS. Segundo Yaqub Manzor, um oficial tribal de Paktika, muitos dos feridos vieram do distrito de Giyan e foram transportados por ambulâncias e helicópteros.

“Os mercados locais estão fechados e as pessoas correram para as áreas afetadas [para prestar ajuda]”, disse ele à AFP por telefone. Terremotos frequentes

Fotos de casas desmoronadas nas ruas de cidades rurais são postadas nas redes sociais. Nos vídeos, moradores das áreas afetadas são vistos transportando os feridos para um helicóptero.

Os terremotos foram sentidos em várias províncias da região e também na capital, Cabul, localizada a cerca de 200 km ao norte do epicentro do terremoto.

O Afeganistão sofre frequentemente com terremotos, especialmente no maciço de Hindu Kush, que abrange o Afeganistão e o Paquistão, que está localizado na junção das placas tectônicas da Eurásia e da Índia.

Essas catástrofes podem ser especialmente devastadoras devido à fraca resistência das casas rurais afegãs. Em outubro de 2015, um poderoso terremoto de magnitude 7,5 sacudiu as montanhas Hindu Kush, causando um total de mais de 380 mortes nos dois países.

Fonte: R7

Arqueólogos descobrem cidade submersa de 3.400 anos no Iraque após seca extrema

Pesquisadores acreditam se tratar de Zakhiku, um assentamento no Império Mittani.

Uma cidade extensa de 3.400 anos surgiu no Iraque depois que o nível de água de um reservatório caiu rapidamente devido à seca extrema.

Arqueólogos curdos e alemães escavaram o assentamento no reservatório de Mosul, ao longo do rio Tigre, na região do Curdistão, no norte do Iraque, em janeiro e fevereiro.

O projeto foi feito em parceria com a Direção de Antiguidades e Patrimônio de Duhok para preservar o patrimônio cultural da região para as gerações futuras.

Acredita-se que o sítio arqueológico, Kemune, seja a cidade da Idade do Bronze de Zakhiku, um importante centro do Império Mittani que reinou de 1.550 a 1.350 a.C.

O território do reino se estendia do Mar Mediterrâneo ao norte do Iraque, de acordo com Ivana Puljiz, professora júnior do departamento de arqueologia e assiriologia do Oriente Próximo da Universidade de Freiburg em Breisgau, Alemanha, e uma das diretoras do projeto.

Uma corrida contra o tempo

Zakhiku ficou submerso depois que o governo iraquiano construiu a represa de Mosul na década de 1980 e raramente viu a luz do dia desde então.

Depois que Puljiz soube que a cidade havia ressurgido, sua equipe correu para escavar o local porque não se sabia quando os níveis de água subiriam novamente.

“Devido à enorme pressão do tempo, cavamos em temperaturas congelantes, neve, granizo, chuva, até tempestades, bem como um dia ensolarado ocasional, sem saber quando a água subiria novamente e quanto tempo teríamos”, disse Puljiz.

A cidade antiga está agora submersa, mas os pesquisadores conseguiram catalogar grande parte do local.

Um palácio já havia sido documentado quando a cidade emergiu brevemente em 2018, mas várias estruturas adicionais foram documentadas durante a última escavação. Algumas das descobertas incluem uma fortificação completa com torres e paredes e um edifício de armazenamento de vários andares.

Muitas das estruturas eram feitas de tijolos de barro secos ao sol, que normalmente não resistiriam bem debaixo d’água, disseram os pesquisadores. No entanto, Zakhiku sofreu um terremoto por volta de 1.350 a.C, e partes das paredes superiores desmoronaram e cobriram os edifícios.

Preservando o passado

Pouco se sabe sobre o antigo povo Mittani que construiu a cidade, em grande parte devido ao fato de que os pesquisadores não identificaram a capital do império ou descobriram seus arquivos, disse Puljiz. No entanto, certos artefatos desenterrados durante a última escavação podem ajudar a fornecer informações.

Arqueólogos encontraram cinco vasos de cerâmica contendo mais de 100 tabuletas cuneiformes de argila, que datam de perto após o evento do terremoto. Acredita-se que sejam do período assírio médio, que durou de 1.350 a 1.100 a.C, e podem abrir caminho para pesquisas sobre o desaparecimento da cidade e a ascensão do domínio assírio na área, de acordo com um comunicado de imprensa.

“É quase um milagre que tabuletas cuneiformes (escritas) feitas de argila crua tenham sobrevivido tantas décadas debaixo d’água”, disse Peter Pfälzner, professor de arqueologia do Oriente Próximo da Universidade de Tübingen e um dos diretores da escavação, em um comunicado.

As tabuinhas ainda não foram decifradas, mas Puljiz supôs que pertenciam a um arquivo privado.

“Estou curiosa para ver o que o estudo dos textos cuneiformes revelará sobre o destino da cidade e de seus habitantes após o terremoto devastador”, disse ela.

Todos os artefatos que foram escavados, incluindo as tábuas, estão alojados no Museu Nacional de Duhok.

Antes que a cidade mais uma vez desaparecesse debaixo d’água, os pesquisadores cobriram as ruínas em folhas de plástico apertadas presas com pedras e cascalho. Puljiz espera que essas medidas protejam o antigo local da erosão hídrica e impeçam que ele desapareça completamente.

Fonte: CNN BRASIL

Mais de 17 mil garotas de até 14 anos foram mães em 2021, mostram dados do SUS

Número preliminar, de 2021, é menor que nos anos anteriores, mas ainda é significativo. De acordo com a legislação vigente, sexo com menores de 14 anos é considerado estupro de vulnerável. Vítimas têm direito a aborto legal, caso engravidem.

O caso da garota de 11 anos que engravidou após ser vítima de um estupro em Santa Catarina não é exceção no Brasil. Dados preliminares do Ministério da Saúde coletados pelo g1 apontam que, no ano passado, 17.316 garotas de até 14 anos foram mães no país. O número tem diminuído nos últimos anos.

De acordo com a legislação vigente, sexo com menores de 14 anos é considerado estupro de vulnerável. Caso a violência leve à gestação, a criança tem direito ao aborto legal. Como o número inclui garotas que engravidaram após completar 14 anos, não é possível dizer que todas são vítimas de estupro.

A especialista em direito das crianças e adolescentes e coordenadora na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Perla Ribeiro, afirma que as notificações de gravidez são a parte mais visível do problema de estupro de vulnerável no Brasil, que ainda sofre com subnotificação.

Especialista em violência sexual e aborto previsto em lei, a psicóloga Daniela Pedroso afirma que manutenção da gravidez em crianças vítimas de violência sexual traz uma série de problemas psicológicos para a criança, além de malefícios físicos, sociais e financeiros.

Ela diz que essa situação pode ser ainda pior, caso seja negado a essa vítima o direito de interromper a gravidez legalmente, como ocorreu com a menina de Santa Catarina, mantida pela Justiça em um abrigo no estado para evitar que faça um aborto autorizado.

Vítima de estupro, a menina de SC descobriu estar com 22 semanas de gravidez ao ser encaminhada a um hospital de Florianópolis, onde teve o procedimento para interromper a gestação negado pela juíza Joana Ribeiro Zimmer.

Depois que o caso foi parar na Justiça, a decisão e trechos de uma audiência sobre o caso foram revelados em uma reportagem dos sites Portal Catarinas e The Intercept. O material foi publicado na segunda-feira (20). No vídeo, Zimmer tenta convencer a menina a manter a gravidez e chegou a questionar a criança se ela “suportaria ficar mais um pouquinho”.

Na manhã de terça-feira (21), a Justiça determinou que a menina voltasse a morar com a mãe. A advogada de defesa da família não deu detalhes sobre qual será decisão em relação ao aborto. Já a juíza do caso foi transferida para outra comarca, após receber uma promoção. Segundo ela, o convite foi feito antes da repercussão do caso.

Pedroso, que atende meninas e mulheres vítimas de violência sexual há 25 anos, conta que muitas vezes essas garotas não têm ideia do que está ocorrendo com elas ou com os seus corpos.

“O caso dessa menina impacta porque me faz lembrar de todas as situações parecidas de meninas de 10, 11 anos que já atendi. Me evoca a lembrança dessas meninas que eram crianças, que não tinham às vezes entendimento sobre o próprio corpo, que não sabiam o que estava acontecendo”, afirma.

Norte e Nordeste têm mais casos proporcionalmente

A maior parte dos casos de meninas de até 14 anos que tiveram filhos foi registrada no Nordeste (6.855). O Norte aparece em seguida, com quase 4 mil registros, seguido pelo Sudeste (3,8 mil), Centro-Oeste (1,4 mil) e Sul (1,3 mil).

Quando olhamos os números totais de nascimentos nas regiões, por outro lado, o Nordeste (833 mil) tem menos registros de nascidos vivos que o Sudeste (1,2 milhões). Já o Norte (322 mil) notificou menos nascimentos que o Sul (396 mil).

Ou seja, proporcionalmente, Norte e Nordeste, regiões com maiores índices de pobreza, têm mais casos de meninas grávidas que as demais regiões.

g1 questionou o Ministério da Saúde sobre os dados completos de 2021, mas não recebeu a informação até a publicação deste texto.

Coordenadora de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública Estadual do Rio de Janeiro, Flávia Nascimento lembra que a previsão legal para a interrupção de gravidez em meninas menores de 14 anos está na legislação brasileira desde 1940.

A defensora acredita que a lei, por não definir um período específico em que pode ocorrer o procedimento, permite a interrupção em qualquer momento da gravidez, mas ressalta que este não é um consenso no mundo jurídico.

Nascimento afirma ainda que tem notado uma maior dúvida entre médicos em relação a esse tema, principalmente após posicionamentos recentes do Ministério da Saúde. No começo deste mês, a pasta publicou documento em que diz que “não existe aborto ‘legal’” e defende que os casos em que há “excludente de ilicitude” sejam comprovados após “investigação policial”.

“A gente tem percebido um aumento desses casos, dessa dúvida dos profissionais de saúde, principalmente desde que o Ministério da Saúde começou a querer impor uma limitação a um direito que é amplo, que não é limitado. O MS, que deveria orientar, traz uma orientação contrária a lei e acaba provocando muita dúvida nos profissionais de saúde”, comenta.

Número está em queda

Os dados históricos de nascidos vivos apontam uma diminuição da gravidez na infância no país desde 2014, quando 28.245 meninas tiveram filhos. Dois anos depois, em 2016, foram 24.139 garotas. Em 2019, antes da pandemia, foram registrados 19,3 mil nascimentos de mães de até 14 anos.

Apesar da queda, as duas regiões com maiores taxas proporcionais de meninas gravidas — Norte e Nordeste — registraram aumento nos casos em 2021, segundo os dados preliminares do MS. O Norte passou de 3.740 em 2020 para 3.975 em 2021, enquanto o Nordeste foi de 6.822 a 6.855.

Apesar da redução, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) ressaltou, em artigo publicado no fim de 2021, que a taxa de fecundidade de adolescentes brasileiras é maior que a média global: são 53 adolescentes grávidas a cada mil, enquanto no mundo são 41. No texto, o órgão da ONU fez um alerta para a importância da informação e da educação integral em sexualidade como ferramentas de prevenção à gravidez precoce, e para a necessidade de discutir as violências e abusos que vitimizam adolescentes e meninas.

Aborto legal

O g1 publicou uma série de reportagens que explicam o que é o aborto legal, após o Ministério da Saúde publicar uma cartilha na qual afirmava que “não existe aborto legal” e defender que os casos permitidos no Brasil sejam submetidos a “investigação policial”.

Nas matérias, há detalhes sobre o procedimento de interrupção de gestação autorizado pela legislação brasileira. Ele deve ser oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é permitido nos casos em que a gravidez é decorrente de estupro, quando há risco à vida da gestante ou quando há um diagnóstico de anencefalia do feto.

Fonte: G1