RECOMPENSAS DA VIDA CRISTÃ

Ap 22.12: “Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra.”

Diante do tema: há que se conceituar, inicialmente, o que é vida cristã. Podemos dizer que vida cristã é convivência diária com Jesus Cristo, que permanece presente no cristão na pessoa do Espírito Santo (Parakletos). Então, Vida cristã implica em renúncia do ego e aceitação diária da dependência de Deus sobre cada decisão pessoal.

Vemos em 2 Co 5.15: “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”. Mas, implica também, em realizar as boas obras, porque “a fé sem obras é morta”, isto é, não impulsiona o indivíduo à ação porque ele a tem apenas no nível teórico. As obras são requeridas como frutos de uma nova vida em Cristo, devendo ser praticadas com amor, justiça e santidade. Importa lembrar, também, que o termo recompensa nos remete à idéia de galardão transmitindo o significado de pagamento por trabalho honesto realizado (1 Tm 5:18). Assim, recompensa e galardão serão focalizados como vocábulos sinônimos neste texto.

  1. Existe alguma promessa de Deus para a concessão do galardão?

Galardão ou recompensa tem suas raízes na promessa de Deus feita a Abraão: “…Não temas, Abraão; Eu sou o teu escudo, o teu galardão será grandíssimo”(Gn 15:1).

  1. Quem concede as recompensas?

As recompensas provêm de Deus, segundo a Sua Vontade para os seus servos. A recompensa é certa e satisfatória, como registra a Bíblia: “…É necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que se torna o Galardoador dos que o buscam”(Hb 11:6). “…O que semeia justiça terá recompensa verdadeira” (Pv 11:18).

  1. A quem são elas concedidas?

A recompensa é dada ao fiel em Cristo, que só por essa qualidade, já tem vida abundante, vida plena de significado. Assim, aquele que tem confiança no Pai, é sempre recompensado: “Não lanceis fora, pois, a vossa confiança, que tem uma grande recompensa” (Hb 10:35). “Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa” ( Hb 10:36).

  1. O que é galardão à luz da Bíblia?

O galardão, no Antigo Testamento, era manifestação da justiça de Deus inseparável da aliança. A submissão a Deus, sempre, trazia a Israel bem-estar, recompensas temporais visíveis, como registra Dt 28:1-14. “Alegre-se o monte Sião, exultem as filhas de Judá, por causa dos teus juízos” (Sl 48:11); “Saberá, pois, que o Senhor, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e cumprem os seus mandamentos (Dt 7:9). Os galardões ou recompensas dados por Deus, são manifestações de sua justiça (Sl 48:11) e são inseparáveis da aliança (Dt 7:10) à qual, seus mandamentos foram anexados no Novo Testamento. Jesus prometeu galardão a seus discípulos, mas o ligou à auto-negação e ao sofrimento por amor do Evangelho. Foi eliminada a idéia farisaica de “serviço meritório”, como vemos em Lc 17:10: “Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer”.

Jesus prometeu galardões aos Seus discípulos:

Mc 9.41: “Porquanto qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que de modo algum perderá a sua recompensa”. 10:29-30:  “Respondeu Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do Evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos e irmãs, e mães e filhos, e campos, com perseguições; e no mundo vindouro a vida eterna”. Mt 5:12: “Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus…”. Jesus mostrou que o galardão é inseparável Dele mesmo e de Deus. Em Ap 21.3, temos o galardão do desfrutar da convivência diária com Deus: “E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o Tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles”.

  1. Quando ocorrem as concessões das recompensas?

O galardão da salvação em Cristo começa dentro do tempo, com o penhor do Espírito Santo (2 Co 5.5) e seu cumprimento é esperado para depois do julgamento, quando o “povo da aliança” tiver se apossado do pleno desfrutar da “visão de Deus” seu eterno galardão (Ap 21:3). Contemplar a face de Deus é uma bem-aventurança em Mt 5:8. As recompensas serão dadas na Segunda vinda de Cristo (Mt 16:27) e Ap 22:12: “o galardão será retribuído a cada um segundo as suas obras”.

  1. As modalidades ou tipos de recompensas

Outras recompensas podem ser mencionadas, como:

  • Estar com Cristo – Jo 12:26 1 14:3. Ter um reino Mt 25:34.
  • Contemplar a glória de Cristo (Jo 17:24) e ser glorificado com Cristo (1 Jo 3:2 e Fp 3:21).
  • Ter casa eterna nos céus (2 Co 5:1), reinar com Cristo (Ap 3:21) para sempre ( Ap 22:5) e sentar-se para julgar com Cristo (Mt 19:28 e 1 Co 6:2), ter luz eterna (Is 60:19) e vida eterna (Jo 6:40), entrar na alegria do Senhor (Mt 25:21) e ter descanso (Hb 4:9 e Ap. 14:13).
  • As recompensas das coroas espirituais: a coroa da vida (Ap 2:10), coroa incorruptível (1 Co 9:25), coroa de justiça (2 Tm 4:8) e coroa de glória (1 Pd 5:4).
  • As recompensas das heranças: herança de tudo (Ap 21:7), herança eterna (Hb 9:15) herança incorruptível (1 Pe 1:4), herança com os santos de luz (Cl 1:12).
  • Os galardões dados aos vencedores, representarão:
  1. Alimento espiritual: a árvore da vida no paraíso de Deus (Ap 2:7);
  2. Um novo nome (Ap 2:17);
  3. Autoridade sobre as nações (Ap 2:26);
  4. Vestiduras de justiça, brancas vestes (Ap 3:5):
  5. O nome escrito no livro da vida (Ap 3:5);
  6. Entronização, sentar-se no trono com Deus (Ap 3:21 e Ap 12:11);
  7. 7)  Uma herança eterna (Ap 21:7).

Aos que têm nova vida em Cristo são concedidos alguns privilégios, e recompensas como:

  • Identificação com Cristo pelo batismo, que simboliza a morte e ressurreição em Jesus Cristo, a morte do velho homem para o pecado (arrependimento/imersão em água-batismo) e a ressurreição do novo homem em Cristo Jesus (fé salvífica em Jesus/emersão das águas) a esperança na ressurreição do corpo, quando o Senhor Jesus voltar.
  • Identificação com Cristo pela celebração da Sua morte, o pão que é o “corpo dado” e o cálice, a “nova aliança” feita com o sangue de Cristo. Na celebração da ceia relembra-se o sacrifício expiatório de Cristo e há identificação do cristão como membro da nova comunidade estabelecida por Cristo, que é a Igreja: se aceita o “novo pacto” entre Deus e os homens, pelo sangue de Cristo. Adoração: apresentar o corpo por sacrifício vivo e transformar-se pela “renovação da mente” (Rm 12.1-2), poder adorar a Deus em espírito e em verdade (Jo 4.24).
  • Poder contribuir financeiramente com a igreja, glorificar a Deus pela liberalidade em contribuir (2 Co 9.7).
  • Cooperação: ser membro de uma igreja local, cooperando com os demais irmãos para o crescimento da igreja. O crescimento do fiel, o crescimento da vida cristã é integral: intelectual, emocional, espiritual (1 Rs 18:21), moral e funcional ou operacional, através dos dons e ministérios (Rm 12:4-8, 1 Co 12:8-11), CRESCER EM TUDO (Ef 4:15).
  1. Como receber as recompensas, quais as condições para ser receptor delas?
  • As recompensas aos fiéis ocorrem:

1) por serviço espiritual

  1. a) aos conquistadores/evangelizadores de almas para Cristo (Dn 12:3);
  2. b) aos servos humildes/assistência aos necessitados (Mt 10:42);
  3. c) aos mordomos fiéis (Mt 25:23 e Mt 25:34);
  4. d) aos benevolentes (Jo 4:36, Lc 6:35).

2) pelo sofrimento tolerado/pela vitória nas tribulações

  1. a) aos que venceram injúrias, perseguições (Mt 5:11-12);
  2. b) aos que não cometeram apostasia (2 Tm 1:12, Ap 20: c) aos que praticaram o desapego das riquezas (Hb 10:34 e 11:26).

 

A recompensa é uma dádiva oferecida em reconhecimento por algum serviço prestado, quer seja bom ou mal. Seu uso bíblico, no entanto, é bem variado, incluindo também, idéias como suborno (Sl 103.10) e castigo (Sl 91.8). Para os cristãos, as recompensas têm um significado escatológico. Paulo ensina que todo homem comparecerá diante do Tribunal de Cristo para o julgamento das suas obras (Rm 14.12). No nosso pensamento, devemos conservar esse julgamento separado do julgamento do pecado, porque este, no que diz respeito ao cristão, já está liquidado para sempre (Rm 5:1). A salvação é uma dádiva (Ef 2:8-9), enquanto que as recompensas são merecidas (1 Co 3.14). Nas duas passagens principais das Escrituras, que consideram pormenorizadamente a recompensa ou galardão sobre os serviços dos servos de Cristo, são: 1 Co 3:9-15 e 1 Co 9:16-27. Vários tipos de serviços merecem recompensas, tais como resistir à tentação (Tg 1:12), buscar diligentemente a Deus (Hb 11.6), morrer por Cristo (Ap 2:10), a obra pastoral fiel (1 Pd 5:4), praticar fielmente a vontade de Deus e ansiar por sua vinda (2 Tm 4:8), ganhar almas (1 Ts 2:19-20), mordomia fiel (1 Co 4:1-5), atos de bondade (Gl 6:10), hospitalidade (Mt 10:40-42). Examinar “as recompensas da vida cristã renova a esperança em Cristo. A esperança cristã funda-se na certeza de que Cristo já destruiu a morte e “trouxe à luz, a vida e a imortalidade” (2 Tm 1:10). O efeito da recompensa e a esperança cristã fundamenta-se na vida eterna.

A grande recompensa da vida cristã é que, o servo de Jesus Cristo pode interceder pelas pessoas que desconhecem a Cristo como Senhor e Salvador de sua vida. E, quando alguém intercede por quem se converte, isso nos traz grande alegria. Significando grande recompensa não só de usufruir do amor de Cristo que está em nós, mas, principalmente, de por em prática seus ensinos com amor para ganhar novas vidas para a eternidade com Cristo.

Assim, “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8:18). A “nova natureza” que reveste o convertido em Jesus Cristo é uma recompensa que transmite vida abundante, vida plena de significado, como presente constante da manifestação do Espírito Santo (Parakletos) a orientar os nossos pensamentos e ações, impulsionando-nos para a renúncia do ego e dependência completa de Deus. Busca da maturidade cristã, com a imitação do Modelo Perfeito, JESUS CRISTO! Como Ele mesmo diz em Ap 22.12: “Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra”.

Por Valdely Cardoso Brito

A EXCELÊNCIA DE VIVER PELA FÉ

Hb 11:39-40: “E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa.
Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados”.

O livro de Hebreus, nos capítulos de 1 a 10, apresenta uma comparação completa entre o formalismo religioso judaico e o supremo propósito de DEUS. Nesses dez capítulos DEUS está mostrando que o Seu mover não está na religiosidade judaica e sim no viver pela fé. Viver pela fé é o viver que agrada a DEUS. É por esta razão que o escritor aos Hebreus cita Abel, Enoque, Noé, Abraão, Moisés e José. Todos esses tiveram um relacionamento com DEUS na excelência da fé. Se estudar a Epistola aos Hebreus você vai descobrir que o termo fé é encontrado 32 vezes.

O escritor aos Hebreus definiu a fé assim: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hb 11.1).

Eu quero analisar três palavras nesse texto, para compreendermos o que é a fé em sua natureza.

  1. “certeza” – No grego é hupostasis, quer dizer: estabelecer, ou: dar forma concreta.
  2. “Convicção” – No grego é elegchos, significa: algo que foi provado ou testado.
  3. “fatos” – No grego é pragma, significa: fato consumado.

Então, podemos compreender que a fé é a certeza, a convicção, a confirmação, a realidade, a base de apoio, o alicerce das coisas que se esperam. A fé que temos em nosso espírito vivificado, pela regeneração, atua como um sexto sentido. Todos nós nascemos com cinco sentidos: tato, paladar, audição, visão e olfato. A fé é o sexto sentido que substantifica as coisas que não são vistas, mas que nós esperamos.

Fé e esperança andam juntas na vida cristã.

Vamos atentar para alguns textos que nos mostram essa verdade: “que, por meio dele, tendes fé em DEUS, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em DEUS” (1 Pe 1.21). “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, destes três; porém o maior destes é o amor” (I Co 13:13).

Uma pessoa ímpia não tem esperança. Veja o que Paulo diz em duas maravilhosas passagens: Efésios 2:12 – “naquele tempo, estáveis sem CRISTO, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem DEUS no mundo”. E 1 Tessalonicenses 4:13 – “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança”.

O chamamento que recebemos de DEUS nos traz esperança: Efésios 1:18 – “iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento…” Efésios 4.4 – “há somente um corpo e um ESPÍRITO, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação”. O apóstolo Pedro diz: “Bendito o DEUS e Pai de nosso SENHOR JESUS CRISTO, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de JESUS CRISTO dentre os mortos” (I Pe 1.3).

Os fatos históricos são tudo aquilo que DEUS realizou e consumou em CRISTO e que Ele deseja que se torne real em nós como “esperança” em CRISTO: Cl 1.5 “por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho” (Cl 1.27).  DEUS  quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, CRISTO em vós, a esperança da glória; 1 Timóteo 1:1: “Paulo, apóstolo de CRISTO JESUS, pelo mandato de DEUS, nosso Salvador, e de CRISTO JESUS, nossa esperança”. O livro de Hebreus nos exorta: “Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel”.

Concluímos, que tanto os “fatos” como a “esperança” são substantificados pela fé, por isso, Paulo diz em 2 Coríntios 5:7: “visto que andamos por fé, e não pelo vemos”. A fé é o elemento divino dado a nós como parte das riquezas da nossa salvação para que por ela, tenhamos a capacidade de substantificar as coisas espirituais.

 “Coisa superior” – (Hb:11.39,40)

Precisamos estudar essa frase porque ela descreve a riqueza e a profundidade da vida cristã. “coisa superior” fala de coisas “melhores ou “superiores”. A palavra “superior” significa: “que está mais acima”, “mais elevado”; “que atingiu um grau muito elevado”, “supremo”, “excelente” (Hb 1:4; 6:13; 6:16; 7:7, 19, 22; 8:6; 10:34; 11:16,35,40; 12:10). Esta palavra expressa o contraste e a superioridade do cristianismo em relação ao judaísmo, que é um tipo de religiosidade que contextualiza com a nossa realidade cristã contemporânea.

Das dezenove vezes que essa palavra grega “kreitton”, aparece no N.T. doze ocorrências se encontram nesta epístola, e significa “melhor ou “superior”.

  1. CRISTO tem um “nome melhor” que o dos anjos (Hb 1:4).
  2. Coisas “melhores” pertencentes a salvação (Hb. 6:9).
  3. CRISTO é “superior” a Abraão (Hb 7:7).
  4. Nele temos uma “melhor esperança” (Hb 7:19).
  5. Nosso novo pacto é “melhor” do que o antigo (Hb 7:22).
  6. Esse novo pacto contém “melhores” promessas (Hb 8:6).
  7. E um “melhor” sacrifício (Hb 9:23).
  8. Sendo que também, temos uma “melhor” possessão (Hb 10:34).
  9. Encaminhamo-nos para uma pátria “melhor” (Hb 11:16).
  10. Havendo uma “melhor” ressurreição para os que são verdadeiramente fiéis (Hb 11:35).
  11. Além do fato de que coisas “melhores” nos aguardam na glória vindoura (Hb 11:40).
  12. Essas “coisas superiores” (Hb 12:24) aguardam os remidos que já se acham em posse compreensível, pois Paulo havia dito que falecer e ir para CRISTO é “muito melhor” (Fp 1:23).

 Duas dispensações na economia de DEUS.

Quando estudamos a Palavra de DEUS descobrimos duas dispensações que são imprescindíveis para a compreensão da Economia de DEUS: A Velha Aliança, composta de “sombras”; A Nova Aliança, da realidade. Os cristãos, na sombra da Velha Aliança, esperavam ver a realidade da Nova Aliança:

Mt 13:16-17“Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem. Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não ouviram”.

I Pe 1:10-12 “Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo ESPÍRITO de CRISTO, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a CRISTO e sobre as glórias que os seguiriam. A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo ESPÍRITO SANTO enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar”.

Conclusão

O viver pela fé é a nossa carreira cristã e é desfrutar daquilo que foi consumado por nosso SENHOR JESUS CRISTO com a convicção de tudo aquilo que nos aguarda em CRISTO JESUS na glória vindoura. Precisamos ter uma visão clara do significado da vida da Igreja, da riqueza de expressar CRISTO e de cooperarmos com DEUS nesta grande obra de edificação dos filhos de Deus. Que DEUS em CRISTO JESUS nosso SENHOR, nos ajude a entender e por em prática esta maravilhosa Palavra.

                                Por Valdely Cardoso Brito

 

A DOUTRINA BÍBLICA DA ORAÇÃO

Gênesis 2 a 4. Texto áureo: Gênesis 4.26“A Sete também nasceu um
filho, a quem pôs o nome de Enos. Foi nesse tempo que os homens começaram
a invocar o nome do Senhor” – Gn 4.26

 Vamos falar com Deus e ouvir sua voz

A oração no panorama bíblico e na igreja de hoje

Um tema doutrinário e inspirativo

Este tema é considerado como o mais pessoal e particular para a vida de todo cristão, que deve viver a intimidade com o Senhor Deus. A vida moderna nos afasta cada vez mais dos momentos de reflexão e meditação. O estudo da doutrina bíblica da oração é imprescindível, para propiciar a conexão com Deus como fez o Senhor Jesus, pois temos os nossos momentos a sós com o Pai. No entanto, lembremos: Oração não é algo para ser aprendido por orientação de livros ou de quem quer que seja. Vida de oração é resultado de intimidade com Deus, inspirada pelo Espírito Santo e abençoada pela graça de Cristo.

Gênesis 2.15-17 – A oração de mão única

No ambiente do Paraíso, na perfeição edênica, antes que o pecado ali penetrasse para subverter a ordem, Deus falava, ordenava e as coisas aconteciam naturalmente por vontade suprema do Senhor. A oração era a expressão prática da vontade superior do Pai cumprindo-se na vida do homem.

Gênesis 2.18-22 – O início da mão dupla na oração

Nesse segundo texto, Deus vai abrir a via de mão dupla: No primeiro momento, apenas ele fala e sua vontade se cumpre na vida do homem: Gênesis 2.18-20: “Disse mais o Senhor Deus…”. Mas, no segundo momento, o ser criado vai se manifestar. A via de mão dupla começa a se estabelecer: “Então disse o homem…” (Gn 2.21-25).

Gênesis 3.1-8 – A quebra desta unidade

Infelizmente este relacionamento único e harmonioso vai romper-se. A entrada do pecado quebra o diálogo que se fazia tão íntimo e pessoal entre o homem e Deus. O casal se esconde da presença do Pai como podemos ler em Gênesis 3.8: “E ouvindo a voz do Senhor Deus… esconderam-se da presença do Senhor Deus, por entre as árvores do jardim.” Sim, a presença do mal vai afastar o homem da presença do Pai

.Gênesis 3.9-19 – Uma transformação no Éden

De repente, tudo mudou. O ambiente de paz e tranquilidade foi alterado pelo de medo e tensão. A conversa, em monólogo ou diálogo que fluía naturalmente passa a ser de desconfiança e juízo, como podemos ler em Gênesis 3.9: “Mas chamou o Senhor Deus ao homem…”. Daí em diante, o receio e o medo se instalaram no relacionamento da criatura para com o seu Criador.

Gênesis 3.20-24 – Uma nova relação

Assim, o que começou numa atmosfera de paz e concórdia, se transformou numa via de mão dupla, onde o Senhor continuará percorrendo o seu curso em relação ao ser criado, mas este, em razão do pecado, e do mal em que se vê envolvido, se distancia mais e mais do Pai. E Ele os lança fora do Jardim: “O Senhor Deus, pois, o lançou para fora… ” (Gn 3.23).

Gênesis 4.1-7 – O diálogo reticente

O relacionamento foi contaminado pela desconfiança e o temor por parte do homem em seu contato com Deus. Ele se mostra sempre temeroso do diálogo com o Pai, sentindo-se culpado e em débito com o Senhor. O primeiro diálogo com a segunda geração da criação de Deus demonstra claramente isto. Em Gn.4.6: “Então o Senhor perguntou a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar”.

Gênesis 4.8-26 – A ausência do diálogo

Este distanciamento foi de tal ordem, que a descendência de Caim não mais estabeleceu este contato com o Senhor nas seis gerações seguintes. E a descendência de Adão precisou ser reiniciada com Sete, e surge a sua terceira geração, e esta busca o diálogo com o Senhor. Em Gênesis 4.26 lemos: “ A Sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos; daí se começou a invocar o nome do Senhor”. Invocar significa buscar uma bênção no nome do Senhor e reconhecer o bom propósito de Deus para todos e tomar lugar como seu povo. Essa prática foi zelosamente levada adiante pelo seu filho Enos.

Para refletir:

  • O que leva o cristão a orar?
  • O que significa a oração na vida cristã?
  • Há reflexão sobre a importância da oração em nosso viver?
  • A oração é uma via de mão dupla?
  • É preciso orar mais?

 Por Valdely Cardoso Brito

 

SOIS TEMPLO DE DEUS E MORADA DO PARAKLETOS

1 Co 3.16: ”Não sabeis vós que sois santuários de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?”
–  Ef 2.21,22: “No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor.
No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito.”

 Jesus Cristo personificou em si mesmo o significado do Templo, porque a igreja é seu Corpo 1 Co 12:13: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito”; Cl 1.18: “E ele é a cabeça do corpo, da igreja, é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse.”

Ser filho de Deus é o privilégio mais sublime da salvação em Cristo (1 Jo 1:12; Gl 4:7). Deus quer que nos tornemos cada vez mais consciente de que o mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus e se somos filhos, somos herdeiros de Deus, e co-herdeiros com Cristo: se é certo que com ele padecemos para que também com ele sejamos glorificados (Rm 8:16,17). Sermos filhos de Deus é a base da nossa disciplina pelo Pai (Hb 12:6,7,11) e a razão de vivermos para agradar a Deus e saber que “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus” (1 Jo 3:9). No mundo, os cristãos são peregrinos (1 Pd 2:11), porque a morada dos cristãos está sendo preparada por Jesus Cristo no céu, por isso, não devemos ser seduzidos pelo mundo (Rm 12:2); mas permanecer no mundo (Jo 15:19); amar o mundo sem apegar-se às tentações (1 Jo 2:15); devemos ser libertos do mundo (Gl 1:13; Gl 1:4; e morrermos para o mundo (Gl 6:14).

Mundo e terra não são sinônimos: Deus não nos proíbe de amarmos a Terra com as coisas que nela foram criadas para nosso sustento e deleite. Devemos lembrar que o mundo está sob o domínio de Satanás e suas hostes malignas, mas a Igreja pertence exclusivamente ao Senhor Jesus Cristo. O alvo de Deus em nos tornar seus filhos é nos salvar para sempre e nos conformar à imagem de seu Filho amado Jesus Cristo (Rm 8:29).

O Espírito suscita a exclamação “Aba” (Pai) em nosso coração e produz em nós o desejo de sermos guiados pelo Parakletos (Rm 8:14). O cristão causa tristeza ou pesar ao Parakletos quando não dá importância à sua presença, voz ou direção (Rm 8:5-17; Gl 5:16-25; 6:7-9). Assim, entristecer o Parakletos implica em resisti-Lo (At 7:5); isto, por sua vez, leva a extingui-Lo ou apagá-Lo (1 Ts 5:19). Na conversão, quando cremos em Jesus Cristo, recebemos o Parakletos (Jo 3:3-6; 20:22) e nos tornamos co-participantes da natureza divina (2 Pd 1:4), pois o Espírito de Deus é o agente de nossa santificação (Rm 8:9; 1 Co 6:19). Ele nos purifica, dirige nossas ações e nos conduz à vida santa, libertando-nos da escravidão do pecado (Rm 8:2-4; Gl 5:16-17; 2 Ts 2:13). Ajuda-nos na adoração a Deus (At 10.45,46; Rm 8:26,27). Ele imprime em nós as qualidades do caráter de Cristo, que O glorificam (Gl 5:22,23; 1 Pd 1:2). Nos guia em toda a verdade (Jo 16:13; 14:26; 1 Co 2:10-16); Revela-nos Jesus Cristo e nos conduz em estreita comunhão e união com Ele (Jo14:16-18; 16:13). E, continuamente, Ele nos comunica o amor de Deus (Rm 5:5), nos alegra, consola e ajuda (Jo 14:16; 1 Ts 1:6).

Então, viver prudentemente é assumir na prática, o comprometimento de respeitar a vontade de Deus, porque ela não é algo obscuro, distante, inatingível. Pelo contrário. Paulo entendeu a vontade de Deus de maneira bem definida. A vontade de Deus é que vivamos cheios do seu Espírito Parakletos. O Apóstolo Paulo recomenda que os cristãos falem entre si, com salmos, hinos e cânticos espirituais ao Senhor no coração (Ef 5:19).

Efésios 5:18 apresenta a plenitude do Espírito como sendo contrária a embriaguez. Em termos práticos, podemos ver o resultado da embriaguez: “dissolução” (significa perversão de costumes, devassidão).

A pessoa embriagada não tem domínio próprio. Basta ver quantos acidentes acontecem quando motoristas dirigem embriagados. Mas não é só o vinho e a cachaça que embriagam. O amor ao dinheiro, propriedades, casas, carros e coisas materiais diversas também ofuscam, obcecam a mente humana e assim, se desviam da fé (1 Tm 6:10).

A pessoa plena do Espírito de Deus respeita seus semelhantes, tem domínio próprio e agrada a Deus. Todas as virtudes catalogadas em Efésios 5 só podem ser praticadas pela capacitação do Parakletos. Portanto, a plenitude do Espírito de Deus aponta para a santidade, enfatizando que a única prova da conversão passada é uma constante conversão presente. Consequências imediatas em: a) alguém que é cheio do Parakletos: tem um coração adorador (Ef 5:19); b) é alguém que adora a Jesus e Deus. “Quais são os verdadeiros adoradores? Paulo afirmou que a verdadeira adoração é aquela que se oferece a Deus pelo Espírito Santo, não confiando na carne, mas gloriando-se em Cristo Jesus” (Fp 3:3). Na conversa que Jesus teve com a samaritana junto à fonte de Jacó, Jesus declarou que Deus procura quem O adore em Espírito e em verdade (Jo 4:23-24). Essa realidade se faz presente na Igreja desde a vinda do Parakletos. A pessoa plena do Espírito adora a Deus com Salmos, hinos que exaltam a Cristo Jesus (em geral, encontramos vários exemplos de hinos cristológicos no N.T. Exemplo: Jo 1:1-18; Fp 2:6-11; Cl 1:15-20) e cânticos de louvor. O cristão pleno do Espírito entoa louvores com o “coração” ao Senhor. Não faz isso mecanicamente, mas movido por um desejo profundo de exaltar o Senhor, porque tem um coração grato.

Gratidão é outra marca da plenitude do Parakletos. Essa pessoa sabe reconhecer as bênçãos espirituais derramadas sobre sua vida (Ef 1:3). Sabe que é alvo do amor de Deus e que Jesus Cristo deu sua vida por ela. Que a salvação chegou à sua vida pela graça de Deus. Por tudo isso, agradece sempre. O Parakletos capacita os cristãos a discernir outras bênçãos, mesmo em circunstâncias adversas. Paulo é um bom exemplo disso. Prisioneiro, não lamentava sua situação, mas a transformava em oportunidade de salvação aos perdidos. Assim, não era prisioneiro do imperador, mas do Senhor (Ef 3:1; 4:1). Apesar das privações, era alguém que sabia viver contente em toda e qualquer situação (Fp 4:10-20). Os cristãos plenos do Parakletos enxergam além. O apóstolo Paulo enfatiza a sujeição mútua (Ef 5:21). Trata-se de cristão espiritual, que anima a comunidade. Cresce no conceito de santidade: Quem ama o seu próximo, a si mesmo se ama (Ef 5:28). Quando há mútua sujeição as pessoas se tornam cordatas e amorosas. O orgulho desaparece e reina a humildade. Há submissão e respeito uns com os outros, são voluntários na prática do bem. Essa sujeição se manifesta no relacionamento entre marido e mulher (Ef 5:22-33), no relacionamento entre filhos e pais (Ef 6:1-4) e no relacionamento de servos e senhores (Ef 6:5-9). Não dá para conceber que alguém seja cheio do Parakletos e ao mesmo tempo seja um tirano, marido infiel, pais descontrolados ou filhos desobedientes. E, sua tendência é situar a plenitude espiritual somente no período de culto. Ou como diz o hino popular o importante é estar “rompendo em fé”, não importando o tipo de vida que tem. Isso não faz sentido na vida espiritual expressa na Bíblia, porque a pessoa espiritual é alguém que tem uma ética condizente com seu comportamento cristão. Cada vez que os princípios morais são desrespeitados sem que haja arrependimento, a resistência moral diminui. Por isso a Palavra diz: “Se optarmos viver segundo a carne, caminhamos para a morte. “mas, se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis” (Rm 8:13). Disse Paulo: “Se…Cristo está em vós, o corpo, na verdade está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida por causa da justiça” (Rm 8:10). “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus “ (v. 14). “Andai no Espírito e jamais satisfarei à concupiscência da carne” (Gl 5:16).

Todos esses textos e muitos outros desvendam o segredo da vitória sobre o poder da carne. É preciso andar no Espírito e viver no Espírito (Gl 5:25). Ser guiado pelo Parakletos põe em relevo o fato central de que Ele nos é concedido para realizar a boa agradável e perfeita vontade de Deus. Paulo sugere que para nos tornarmos cheios do Parakletos é preciso ser totalmente submisso ao Senhor. O próprio Jesus Cristo falou de rios de água viva: no último dia da grande Festa dos Tabernáculos, ocasião que se levantou e disse: “se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva” (Jo 7:37-39). Devemos lembrar que da mesma maneira que precisamos continuamente beber água para nossa subsistência, também a busca da plenitude do Parakletos deve ser o alvo da santidade constante em nossa vida. O andar em comunhão diária com o Senhor assegura a plena ação do Espírito Santo na vida do cristão. Em outras palavras a plenitude do Parakletos é estilo de vida em Cristo Jesus. A Sua obra específica é, além de convencer o homem do pecado da justiça e do juízo, é purificar todos os filhos de Deus para servir ao Deus vivo (Hb 9:14).

Assim, o que Deus espera de nós é fazer a Sua vontade pela habitação plena do Parakletos em nós. Se andarmos no Espírito o fruto aparece (Gl 5:16-26). “Só é possível entrar pela porta com a vida santificada mediante um pensamento disciplinado e correto. A renovação da mente (Rm 12:2) é vital para o avanço em direção à maturidade”. O viver com sabedoria depende da vida espiritual plena, pois: Parakletos é o Agente Divino ativo que sela os cristãos no corpo único de Cristo e permanece nele (1 Co 3:16), edificando-os (Ef 2:22) e iluminando-os na prática da adoração à Deus (Fp 3:3), dirigindo a missão de cada um, escolhendo novos servos, resguardando o Evangelho contra erros (2Tm 1:14) e, especialmente santificando a todos. Tudo isso é dado àqueles que vivem na obediência a Palavra e fé em Cristo (Rm 1: 5).

Por Valdely Cardoso Brito

SOFRIMENTO

“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo
que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança” (Rm 5:3-4).

  1. Os propósitos de Deus no sofrimento do homem

Em Eclesiastes 3.1 a Bíblia afirma que “(…)há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Ec 3.1). Não há acasos; Deus tem propósito para cada acontecimento. Sendo assim, nós não podemos imaginar que Deus não tem propósitos para o sofrimento. Nem mesmo o sofrimento humano acontece por acaso.

  1. PROPÓSITOS DO SOFRIMENTO ENTRE OS ÍMPIOS

Manifestar o caráter santo de Deus Salmo 107.17 – Esse texto afirma que os ímpios serão afligidos por causa dos seus pecados. As dores e as angústias sobrevêm aos incrédulos como conseqüência das suas transgressões. As pessoas que vivem com o coração longe de Deus, se afundam nas suas iniquidades e quando sofrem, perguntam-se: “Por que eu tenho sofrido tanto?” Deus, por causa de Sua própria santidade, além de abominar o pecado não pode ficar impassível diante de práticas pecaminosas. Assim, Ele age permitindo o sofrimento àqueles que vivem na prática do pecado.

Promover a prática da justiça Is 26.9 – O sofrimento que Deus permite aos ímpios tem por objetivo levá-los a aprender a viver uma vida reta. E uma das maneiras de se levar uma pessoa ímpia a viver uma vida correta é aplicando-lhe uma penalidade. A manifestação da justiça de Deus tem um efeito saudável dentro da sociedade, pois as pessoas começam a andar em retidão pelo medo da “punição”.

  1. PROPÓSITOS DO SOFRIMENTO ENTRE OS CRISTÃOS

Levar o cristão de volta ao caminho correto Pv 3.11-12. A dor é o “megafone” que Deus usa para fazer o “surdo” ouvir o que Ele tem a dizer. Quando enfrentamos dores e sofrimentos, devemos pedir a Deus para nos mostrar o caminho correto a seguir, para ajudar-nos em nossa conduta, fazendo-nos voltar para o caminho da retidão. Além do mais, é necessário compreender que esse tipo de ação permissiva de Deus (dor e sofrimento) não é sinal de que Ele nos abandonou. Pelo contrário, é sinal de que Ele nos ama, desejando nos levar a andar no melhor caminho: o caminho da vida para desenvolver a capacidade de sentir compaixão do próximo.

II Co 1.4-5 nos ensina algumas verdades acerca do sofrimento:

É Deus quem nos conforta no sofrimento. No mundo, nós cristãos, sempre vamos passar por tribulações (Jo 16.33). Todavia, com Deus esse sofrimento é aliviado. Por essa razão, no verso 3 Deus é chamado de “o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação”. Deus está sempre disposto e é totalmente poderoso para consolar e confortar em nossos momentos de angústia e dor.

É Deus quem nos capacita para confortar no sofrimento do nosso próximo. O sofrimento é uma excelente escola, onde aprendemos a consolar e confortar as pessoas da mesma maneira como Deus faz conosco. Nós, seres humanos, somos diferentes de Deus: Enquanto Ele conhece todas as coisas sem nunca as ter experimentado, nós só conseguimos aprender a fazer algo através da experiência. Nunca aprenderemos a confortar pessoas a menos que tenhamos passado pelo sofrimento e tenhamos recebido o conforto divino. Se o próprio Jesus teve de aprender a obedecer pelas coisas que sofreu, tendo de experimentar o sofrimento e a tentação para poder socorrer os que são tentados (Hb 2.8), quanto mais nós que temos de aprender na prática, sobre a consolação divina para podermos consolar os que estão sofrendo. Deus enviou Cristo para que a nossa consolação transborde por meio dEle – Paulo também aprendeu a glorificar o merecedor de todas as graças que recebemos de Deus. Como recebemos a capacidade de consolar, temos de aprender a glorificar a Cristo, porque toda a nossa capacidade de confortar é feita por meio de Cristo e do Espírito Santo.

Confirmar o valor da fé 1 Pd 1.6-7 – O sofrimento é o meio que Deus usa para fazer o cristão crescer na sua fé. Pedro diz que o sofrimento é comparado à ação do fogo – A ação do fogo é múltipla. Ele destrói, consome, aniquila; mas a Escritura cita o fogo aqui como um elemento purificador, que torna o objeto aprovado, aperfeiçoado, confirmado. O processo de confirmação de nossa fé é comparado ao processo da depuração do ouro pelo fogo. Pedro diz que a confirmação da fé vem por uma gama de sofrimentos – O fogo é sinônimo de sofrimento causado pelas provações: passamos por ele e por meio dele somos confirmados em nossa fé. Os destinatários da carta de Pedro estavam sendo provados com aflições. Não haveriam de sofrer por muito tempo, mas estavam sofrendo para que o valor da sua fé fosse confirmado. O sofrimento tem diversas manifestações: Deus permite várias formas para causar crescimento no meio do seu povo. Por essa razão, Pedro diz que os cristãos seriam contristados (entristecidos) “por várias provações”. Esse teste de fé está longe de ser uma experiência agradável. Diz ainda que o sofrimento é para a confirmação da fé e vem quando necessário. Nem todos os cristãos que passaram pelo mundo experimentaram os sofrimentos dos quais Pedro falava. Ele disse: “Nisso exultai, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações (…)”. A conclusão que se pode tirar dessa passagem é que nem todos sofrem, porque não é necessário que haja crescimento ou confirmação da fé somente por meio do sofrimento. O sofrimento não é algo inevitável ou necessário. Pedro diz que o sofrimento para a confirmação da fé não é longo – mesmo que em certas ocasiões possa vir sobre os cristãos, mas não permanece para sempre. Pedro diz que os cristãos são contristados “por breve tempo”. Então, o sofrimento é de duração limitada. Aliás, não podemos nos esquecer de que a duração curta da provação está em contraste com a alegria de que vamos desfrutar amanhã. Mesmo que o sofrimento dure a noite inteira, a alegria vem pela manhã.

Aperfeiçoar o caráter cristão Rm 5.3-4 – Nesse texto, Paulo afirma que o sofrimento é um meio que Deus usa para aperfeiçoar o caráter dos cristãos. Mas, diferentemente da versão Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica Brasileira, há outras versões da Bíblia que traduzem o texto de uma forma diferente. A palavra “tribulações” é traduzida como “sofrimentos”, “perseverança” é traduzida como “paciência” e “experiência” é traduzida como “caráter provado”. Assim: Paulo diz que os sofrimentos produzem perseverança – Na língua grega, a palavra “perseverança” pode também ser traduzida por paciência, persistência, constância. Essas são algumas características que se apresentam no homem maduro, que se mantêm leal à sua fé e aos seus propósitos mesmo quando está debaixo das maiores tribulações ou sofrimentos. Em geral, não crescemos quando estamos em plena calmaria de problemas. Em todos os ramos, o desenvolvimento aparece em hora de crise ou sofrimento. Paulo diz que a perseverança produz experiência – essa é parte da reação em cadeia. Assim como os sofrimentos produzem a perseverança (ou paciência, ou constância, ou persistência), esta produz experiência. Na língua grega, a palavra “experiência” pode ser traduzida por “caráter provado”. A idéia é a de alguém que foi testado e saiu vitorioso no teste, tendo desenvolvido um caráter amadurecido pelos sofrimentos. Paulo diz que a experiência produz esperança – o sofrimento do cristão o conduz à perseverança, a firmeza, a constância e a paciência porque eles são conectados à esperança. Há alguma coisa no final que os faz levantar os olhos e crer na mudança dos acontecimentos. Para o cristão, o sofrimento é o ponto em que o poder da esperança fica cada vez mais claro, ligando o nosso presente ao futuro de vitória, porque para o cristão “os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória a vir ser revelada em nós” (Rm 8.18).

Conclusão

Quando você, cristão, estiver sofrendo pelas mais variadas razões, lembre-se de que você não é um desafortunado, mas um amado de Deus. Os sofrimentos pelos quais você tem passado são maneiras de Deus fazer bem à sua vida. Ele tem levado você de volta ao caminho dEle, que é o caminho da vida, endireitando as suas veredas tortuosas. Se Deus não lhe houvesse mostrado o seu amor disciplinador, onde você estaria ainda? Ele tem ensinado você a ter compaixão dos outros que sofrem. Ele tem confirmado o valor da sua fé, por meios das tribulações pelas quais você passa. Ele tem aperfeiçoado o seu caráter.

Por Valdely Cardoso Brito

DOUTRINA BÍBLICA DO DÍZIMO

O dízimo será santo ao SENHOR (Lv 27:32)

Dízimo é a palavra que envolve dois elementos o de sua natureza matemática, que está em seu nome latino décima, e que significa “a décima parte”. Que tem objetivo de sustentar a Obra do SENHOR, e Deus ensina seus vários aspectos, a saber:

ANTES DE MOISÉS – O dízimo aparece na Bíblia, pela primeira vez em Gênesis 14:18-20. Abraão é o primeiro dizimista registrado na história. O seu dízimo tem um caráter religioso, embora fosse tirado de despojos de guerra, e foi entregue ao Sacerdote Melquisedeque para o sustento do culto ao Senhor. Jacó fez uma promessa a Deus que, se fosse bem-sucedido em sua viagem, ele seria dizimista (Gn 28:18-22).

Antes de Moisés, o dízimo era um percentual de 10%, que os hebreus davam para o sustento do culto. O texto bíblico sugere que, no tempo de Abraão e de Jacó, o dízimo era dado voluntariamente e com amor.

DEPOIS DE MOISÉS – Moisés incorporou o dízimo à lei e o tornou um ato legal e obrigatório, (Lv 27:30-32, Nm 18:20-28; Dt 14:22-29), e quem não o pagava, tornava-se sonegador, ladrão (Ml 3:8-10). Assim, antes de Moisés, o dízimo era um ato voluntário e dado como prova de amor, de gratidão e de fidelidade. Depois de Moisés, o dízimo passou a ser um ato obrigatório, tornando seus devedores sonegadores e ladrões.

NO TEMPO DE CRISTO

Quem diz que o dízimo não é uma doutrina cristã, mas uma prática exclusivamente judaica, não sabe o que está falando. Jesus reconheceu a necessidade do dízimo para o sustento do culto e recomendou a sua prática (Mt 23:23).

A questão para o cristão, não é saber se o dízimo é ou não uma doutrina cristã, mas como ele deve ser praticado: deve ser dado como um ato voluntário, e de amor, como fez Abraão, e Jacó, ou pago como um ato legal e obrigatório como instituiu Moisés? A resposta está em Hb 7 e 2 Co 9:7.

Com efeito, o dízimo cristão é um ato voluntário e dado como uma prova de amor, de gratidão, de fé, de fidelidade e de interesse pela causa de Cristo. Isso porque o Cristianismo se fundamenta na ordem sacerdotal de Melquisedeque, a quem Abraão deu o dízimo, e não na ordem sacerdotal de Levi, a quem Moisés pagou o dízimo (Hb 7, 2 Co 9:7).

Ninguém é obrigado a dar o dízimo, mas se alguém assumir o compromisso (fizer um voto), moralmente está obrigado a cumpri-lo para com Deus. No livro de Eclesiastes (5:1-6), está dito que: “Quando a Deus fizeres algum voto, não tarde em cumpri-lo, porque ele não se agrada de tolos. O que votares, paga-o. Melhor é que não votes, do que votes e não pagues”.

Não negligencie o teu dever. “O dízimo será santo ao Senhor” (Lv 27:32). Faça da entrega de seu dízimo, um ato de culto aceitável e agradável ao Senhor (Fp 4:16-17).

Por Valdely Cardoso Brito

A VIDA DE CRISTO EM NÓS

“Eu sou a videira e vós as varas. O que permanece em mim e eu nele,
esse dá muito fruto, porque, sem mim, nada podeis fazer”
(Jo 15.5).

  1. O Testemunho de Cristo e do apóstolo Paulo;
  2. O que é a vida de Cristo em nós;
  3. Consequências práticas e aplicação particular.
  1. O Testemunho de Cristo e do apóstolo Paulo.

O Senhor Jesus disse: “Eu sou a videira e vós as varas. O que permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque, sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15.5). “Nada”, ou seja, nenhum ato meritório de vida eterna.

Semelhantemente, diz Paulo (Rm 6.5): “nos tornamos uma mesma planta com Cristo”, que é como que a raiz santa, e “se é santa a raiz, também o são os ramos” (11.16). Noutra parte, expressa o mesmo valendo-se de outra figura: “vós sois o corpo de Cristo e membros unidos a membro” (1 Co 12.27); e o repete em diversas outras passagens.

Na Epístola aos Romanos (6.4), Paulo afirma que pelo batismo “fomos sepultados com Ele a fim de morrer para o pecado”; morremos e ressuscitamos com Ele. Por isso, também diz Paulo: “Para mim, o viver é Cristo” (Gl 3.27).

São Tomás de Aquino afirmava: “para os caçadores, sua vida é a caça; para os militares, a milícia ou os exercícios militares; para os estudiosos, o estudo; para os cristãos e, sobretudo, para os santos, o viver é Cristo, pois Cristo quer viver neles; e porque os santos vivem da fé, da confiança e do amor de Cristo”. E o próprio Cristo diz: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará todas as coisas, e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14.26). Ou seja: pelos dons de sabedoria, inteligência, ciência, conselho, piedade, fortaleza e do temor, vos sugerirá tudo que eu vos disse, de maneira que as palavras do Evangelho venham a ser para vós, “palavras de vida eterna” porque “são espírito e vida”. O testemunho de Cristo e do apóstolo Paulo é manifesto, sobretudo na Epístola aos Gálatas: “E vivo, já não eu, mas é Cristo que vive em mim” (2.20).

  1. O que é a vida de Cristo em nós. Cristo, como cabeça da Igreja, cumpriu todas as missões que o Pai Lhe atribuiu de maneira suficiente e eficaz, para que possamos receber pela graça de Deus a salvação. Cristo intercede, no céu, por nós e é causa instrumental de cada uma das graças que recebemos. Da nossa parte, para que a vida de Cristo esteja em nós, é necessário:

Guardar esta verdade na memória, e repetir frequentemente para si mesmo: Cristo quer viver em mim, orar, amar, agir em mim. Se assim fizermos, aniquilando a carne, sepultaremos o velho homem, com seus desejos desordenados, baixos, mesquinhos, para abrigarmos em nossos corações os mesmos desejos de Cristo. É absolutamente necessário despojar-se do velho homem. Então, de fé em fé, de glória em glória, paulatinamente compreenderemos as palavras de João Batista: “Convém que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). Em sentido moral, é preciso pensar, desejar, agir com Cristo e em Cristo.  Assim, pouco a pouco, o Espírito de Cristo se substitui ao nosso próprio. Ora, nosso espírito próprio tem um determinado modo de pensar, de sentir, de julgar, de amar, de querer e de sofrer; é uma mentalidade especial, bastante limitada e superficial, que depende materialmente de nosso temperamento físico, da nossa herança, do influxo das coisas exteriores, das idéias da nossa geração e da nossa cultura. Este espírito próprio tem de ser substituído pelo espírito de Cristo, isto é, por seu modo de pensar, sentir, amar e agir; E, pela fé, fazendo-se servos de Deus em sentido pleno, Cristo verdadeiramente viverá em nós, daí poderemos dizer como Paulo: “para mim, o viver é Cristo”.E vivo, já não eu, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2.20). Se verdadeiramente seguirmos este caminho, nossa alma abandona a si mesma para viver em Cristo, abandonando o velho homem, se “revestirmo-nos do novo homem” como diz Paulo (Gl 3.27; Ef 4.24; Rm 13.14).

  1. Consequências práticas e aplicação particular.

Aplicações: temos com respeito à oração, a humildade, à prática do amor fraterno, ao crescimento espiritual pela fé e estudo da Palavra, chegarmos ao aumento da esperança no amor de Deus com aceitação da cruz para continuar seguindo a Jesus até a eternidade.

Quanto à oração: A alma, já não ora como antes, limitada aos interesses próprios, mas aos propósitos de Cristo: “tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu a farei” (Jo 14.13); “Até agora não pedistes nada em meu nome; pedi e recebereis, para que o vosso gozo seja completo” (Jo 16.24). Então, a alma que segue esta via, em nome de Cristo, compreende as riquezas da salvação.

Quanto à humildade: A alma começa a aborrecer a vida demasiado pessoal, começa a desprezar a si mesma, ao comparar-se com Cristo. Compreende melhor que todo pensamento excessivamente pessoal é limitado, estreito, inferior, oposto à santa liberdade dos filhos de Deus. Renuncia a eles, para viver da fé, das palavras de Cristo, que “são espírito e vida”. Por isso, começa a aborrecer o amor próprio, que impede a vida de Cristo em nós.

Com respeito ao amor fraterno: A alma cristã passa a considerar as demais pessoas como Cristo as considerava, por isso, encontra em quase todos algo de belo e digno, assim como em qualquer florzinha silvestre encontramos alguma beleza. Ama de modo semelhante ao que Cristo nos amou.

Com respeito à Fé: A fé desta alma é cada vez mais qualificada pelos dons e torna-se mais penetrante e amorosa; vê as coisas mais diversas com os olhos de Cristo. E em tudo se pergunta: Que pensa Jesus sobre isso? Assim, compreende muito mais o valor da Comunhão. Assim, compreende melhor o sentido espiritual dos acontecimentos quotidianos.

Com respeito à Confiança: A alma aumenta sua confiança, pois Cristo lhe comunica a sua própria. Em sua memória, guarda as palavras do Salvador: “Eu venci o mundo”. Que é como se dissesse: Venci o pecado, o demônio, a morte, tende confiança. Esta alma pode esperar mais em Deus. E com Paulo dirá: “Quando estou fraco, então sou forte” (2 Co 12.10).

Com respeito ao Amor de Deus: Aumenta o amor de Deus, porque é como o amor de Cristo transfundido na alma de quem dele vive. É um amor que começa por causar na alma certo enlevo espiritual pelo qual, a alma que ama a Deus sai fora de si mesma, como que transportada a Deus. Enquanto o homem natural pensa quase sempre em si mesmo e em seus próprios interesses, a alma espiritual pensa quase sempre em Deus; ama a Deus verdadeiramente e, no mesmo Deus, ama-se a si mesma e ao próximo, para mais glorificar a Deus estando cheia de paz e de alegria. É então que a alma confia inteiramente em Deus.

Com respeito à aceitação da cruz: Por fim, a alma chega à uma generosa aceitação da cruz permitida por Deus para que trabalhe mais eficazmente pela salvação de outras almas. Com esse espírito, muitas almas podem orar assim: Senhor, nesta hora de crise mundial, em que se difunde o espírito da soberba, santifica-me mais e aclara a minha inteligência no conhecimento profundo do mistério do vosso santo aniquilamento; dá-me o desejo de participar das vossas humilhações e dores, e fazei que encontre paz, e a mesma alegria, conforme o vosso beneplácito, para erguer o meu espírito até o céu onde Te encontras. Assim estaremos vivendo o nosso duplo ministério de servos e sacerdotes, para podermos nos conduzir de neófito à verdade e à vida cristã.

Por Valdely Cardoso Brito

VOCAÇÃO À SANTIDADE

“Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19:2)

 Desde as páginas das Escrituras até nossos dias encontramos o imperativo divino: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19:2). Esse imperativo, apesar de ser um mandamento, reveste-se de um significado todo especial para a nossa existência. É um convite à verdadeira felicidade, e, por isto mesmo, ninguém resiste: “Tu me seduzistes, Senhor, e eu me deixei seduzir; agarraste-me e me dominaste” (Jr 20:7).

A ordem divina é dada de tal maneira que a pessoa não tem alternativa. É o que garante o próprio Deus: “Invoco hoje por testemunhas contra vós os céus e a terra, de que vos propus a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe a vida para que vivas com tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, obedecendo-lhe à voz e apegando-te a ele. Pois isto significa vida para ti e tua permanência estável sobre a terra que o Senhor jurou dar a teus pais, Abraão, Isaac e Jacó” (Dt 30:19-20). É, portanto, a grande vocação à santidade. É o Pai nos escolhendo em Cristo, já antes da criação do mundo, “para sermos em amor santos e imaculados”, ou seja, “predestinando-nos à adoção de filhos por Jesus Cristo, conforme o beneplácito de sua vontade” (Ef 1:4-5).

Tal desejo do Pai ecoa na pregação de Jesus. Ao apresentar aos discípulos a nova proposta de vida que viera trazer, Jesus com a mesma força e o mesmo entusiasmo repete o imperativo divino que Moisés, séculos antes, havia comunicado à comunidade de Israel: “Sede perfeitos, portanto, como o Pai celeste é perfeito” (Mt 5:48).

Nesta perspectiva, os primeiros cristãos continuam a repetir o convite à santidade. Paulo, por exemplo, escrevendo aos cristãos de Roma, lembra-lhes que eles são “chamados a ser santos” (Rm 1:7). Às mulheres de Corinto recorda-lhes que são convocadas pelo Senhor para serem santas “em corpo e em espírito” (1 Co 7:34), isto é, na totalidade da própria existência. Aos efésios pede que não esqueçam que são “concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Ef 2:19). O autor da Carta aos Hebreus afirma que eles são santos, isto é, participantes da vocação que os destina à herança do céu (Hb 3:1). Na Primeira Carta de Pedro, o imperativo se faz muito mais categórico: “… a exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também santos em todas as ações, pois está escrito: Sede santos porque eu sou santo” (1Pd 1:15-16). O mesmo autor, mais adiante, dirá que toda a comunidade cristã participa de um “sacerdócio santo”, forma uma “nação santa” (1 Pd 2:5,9).

Esse apelo à santidade perpassa toda a história do cristianismo e chega até nossos dias. O verdadeiro significado da santidade: Ser santo é ser capaz de unir liberdade e responsabilidade para atuar diretamente nos destinos da história, promovendo a influência na transformação do mundo e no convívio social. Santidade, portanto, é acolher os mandamentos de Deus, as novidades do Espírito, em total obediência a Deus.

Somente Deus é Santo. De fato, “ninguém é santo como o Senhor” (1 Sm 2:2). Isso quer dizer, em primeiro lugar, que Deus é completamente diferente do ser humano: “… porque eu sou Deus e não homem, sou o Santo no meio de ti; …” (Os 11:9). Deus tem caminhos, desígnios e projetos para a plena salvação, e a verdadeira libertação. Deus realiza gratuitamente a redenção da humanidade.  Não tendo prazer na “morte de ninguém que morre” (Ez 18:32), Ele deseja apenas que o pecador “mude de conduta e viva” (Ez 18:23). Deus é diferente porque Ele é graça e perdão.“Oh! vós todos que tendes sede, vinde às águas! Mesmo que não tenhais dinheiro, vinde! Comprai cereais e comei! Mesmo sem dinheiro ou pagamento, vinde tomar vinho e leite!” (Is 55:1). O próprio Deus nos alerta: “Pois meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e os vossos caminhos não são os meus caminhos. Porque assim como o céu é mais alto do que a terra, os meus caminhos estão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos” (Is 55:8-9). Ele nos convida a não nos confundir com Ele. Mas, a nos assemelharmos ao Seu jeito de ser e de agir.

A santidade, portanto, é, em primeiro lugar: A vivência de um estilo de vida que se afasta da proposta diabólica de querer ser igual a Deus. Esse querer ser igual a Deus é, no fundo, a auto-suficiência, a arrogância, ou seja, a pretensão de guiar-se por si mesmo, sem nenhuma referência ao mandamento divino. Deus muda a situação de cada ser humano, e da humanidade inteira do universo. Exatamente porque está acima de todos e de tudo, porque é Santo, que se inclina para ver a humanidade e caminhar com ela: “Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi seu clamor por causa dos seus opressores; pois eu conheço suas angústias. Por isso desci a fim de libertá-lo da mão dos egípcios…” (Ex 3:7-8).

Encontramo-nos assim diante de um grande paradoxo. Deus é ao mesmo tempo distante e próximo, tremendo e fascinante, espanta e atrai a pessoa humana: “A quem me haveis de comparar? A quem me assemelharei? Pergunta o Santo” (Is 40:25). Encontra-se próximo, fascina e atrai porque escuta o pobre e atende a sua súplica: “Não temas, vermezinho de Jacó, e tu, bichinho de Israel. Eu mesmo te ajudarei; o teu redentor é o Santo de Israel” (Is 41:14).

Deus veio ao encontro de toda a humanidade, a Bíblia nos ajuda a perceber que Ele, por ser Santo, deseja que participemos de sua vida, de seu próprio Ser divino. Por isso, Ele quer ser chamado de “O Santo de Israel” (Is 1:4). Ele, que é totalmente distinto do ser humano, quer que esse último viva no tempo e no espaço como Ele vive na eternidade. Trata-se, portanto, da dimensão ética que brota da fé no Deus Santo.

A comunidade cristã primitiva recebe de Jesus o atributo da santidade, antes, exclusividade de Deus. Ele é o “santo servo Jesus” (At 4:30). Até os próprios demônios reconhecem isso: “Sei quem tu és: o Santo de Deus” (Mc 1:24). Também os apóstolos fazem essa mesma confissão de fé: “… nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6:69). Ele é “o Santo, O Verdadeiro” (Ap 3:7). O que antes era reservado somente a Deus, passa a ser atribuído a Jesus, reconhecido pela comunidade como sendo “o Filho de Deus” (Mc 16:39) ou “o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16). A santidade de Jesus está intimamente relacionada com sua condição de filho: O Verbo Eterno de Deus que “se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1:14). Assim, sua glória é “Ele como Unigênito do Pai ” (Jo 1:14). Para Jesus, Deus é o “Pai santo” (Jo 17:11) que sempre ouve o Filho, e guarda os servos que não são mais do mundo, para que sejam um, assim como Jesus é com o Pai (Jo 17:12-17). O Novo Testamento, Jesus é Santo exatamente porque, de maneira própria, única e exclusiva, é o Filho do Pai Eterno: “… Por isto “o Santo que nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1:35). Sendo o Filho, Jesus é aquele que é enviado para plenificar e realizar o desejo divino de vir ao encontro, e comunicar-se com a humanidade. Jesus o faz oferecendo sua própria vida, doando-a em sacrifício de salvação para reconciliação da humanidade com o Pai (2 Co 17-21). Podemos então dizer que a santidade de Jesus “manifesta-se na santidade de sua redenção: Ele santifica a si mesmo (acolhe em Si a santidade do Pai) para que todos os cristãos, por meio dele, se tornem participantes da santidade e da glória de Deus”.

A santidade como prerrogativa do Trino Deus é atribuída de modo particular também às pessoas da comunidade cristã: Igreja. Tal santidade da Igreja tem dois aspectos básicos:

1) Refere-se antes de tudo à união desta e de seus membros ao Pai, pela ação de Jesus Cristo, na força dinamizadora do Espírito Santo.

2) Diz respeito também à qualidade moral, isto é, ao comportamento, e atitudes da Igreja. Somos santos porque somos propriedade do Senhor Deus: “Mas vós sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, o povo de sua particular propriedade…” (1 Pd 2:9).

Essa consciência que os cristãos tinham de pertencer a Deus tem suas raízes no Antigo Testamento: “Agora, se ouvirdes minha voz e guardardes minha aliança, sereis para mim uma propriedade peculiar entre todos os povos, porque toda a terra é minha” (Êx 19:5). Ser propriedade de Deus é ser escolhido, privilegiado e amado. Somos fruto de livre escolha do Pai, o qual em sua bondade quis que existíssemos. Somos um presente da Trindade à Trindade! Explicando: Cada Pessoa divina quis presentear à outra com o melhor presente. Assim, decidem criar a pessoa humana, imagem e semelhança do Pai do Filho do Espírito Santo, por aquele infinito amor que cada Pessoa da Trindade tem uma à outra. O Novo Testamento reforça ainda mais tal relação, a partir da figura do grande consagrado do Pai que é Jesus. Lucas, por exemplo, fez questão de afirmar que Jesus é “o Santo” (Lc 1:35), e por isso a Ele se aplica ao que a velha aliança dizia do primogênito: “Todo macho que abre o útero será consagrado ao Senhor” (Lc 2:23). Nesta perspectiva, cristãos são pessoas consagradas ao Senhor (cf. 1 Pd 2:9-10).

A consagração é, segundo a Bíblia, uma investidura para o serviço. Ela é uma separação para a realização de um ministério, de um propósito, ou de uma função em benefício da comunidade cristã. Deus separa para si algumas pessoas, a fim de enviá-las em missão. O ato de separar é sempre acompanhado da investidura. As pessoas que foram separadas recebem de quem as separa e envia, os poderes para a realização plena da missão a elas confiada. A investidura acontece mediante gestos simbólicos, carregados de significado. Entre eles destacamos: a unção com óleo (1 Sm 16:12), a imposição das mãos (At 6:6) e o soprar sobre as pessoas (Jo 20:22). Do ponto de vista vocacional, a consagração, como descrita acima, é uma prerrogativa de todo o povo de Deus. Nele, todos “são consagrados como casa espiritual e sacerdócio santo, para que por todas as obras do cristão ofereçam sacrifícios espirituais e anunciem os poderes d’Aquele que das trevas os chamou à sua admirável luz” (Lc. 10).

Podemos assim concluir que a vocação à santidade é um chamado para viver em plenitude a vida cristã; um chamado a ser pessoa humana verdadeira, sem medo e sem reservas. A santidade da parte da pessoa chamada é a disponibilidade para realizar a vontade de Deus. Por exemplo: Isaías e Maria. O profeta, diante do apelo de Javé pedindo alguém para ser enviado, responde: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6:8). A Virgem Maria, após receber o mensageiro divino comunicando-lhe o desejo do Pai, responde com prontidão: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1:38). Tendo presente essas premissas, podemos afirmar que a vocação à santidade é o chamado para a Obra. Deus nos escolhe, nos elege, nos chama para proclamar as suas “excelências” e “maravilhas” (cf.1 Pd 2:9).

A comunidade cristã primitiva entendeu bem essa verdade. Por isso os apóstolos, desde o início, mesmo enfrentando perseguições e calúnias, “não cessavam de ensinar e de anunciar a Boa Nova do Cristo Jesus” (At 5:42). Eles, que eram “os santos” (At 26:10), tinham a consciência de terem sido escolhidos para proclamar o Evangelho a toda criatura (cf. Mc 16:15). Assim, “iam de lugar em lugar, anunciando a palavra da Boa Nova” (At 8:4). Paulo, que se considerava “o menor de todos os santos”, percebe que sua santidade se concretiza no seu chamado para evangelizar: Concedendo-lhe a “graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo” (Ef 3:8). A vocação para ser santo é, segundo ele, convocação para o anúncio da Boa Notícia. Como a busca da santidade é um imperativo aos cristãos, “chamados a ser santos” (1 Co 1:2). “Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (1 Co 9:16).

A santidade é antes de tudo, ser escolhido por Deus para a nobre missão de comunicar à humanidade o projeto salvífico que envolve as três Pessoas Divinas. Esse chamado à santidade, ou convocação para a Obra, é, no dizer do autor da Primeira Carta de Pedro, um chamamento para oferecer “sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Pd 2:5). Por meio dEle, os cristãos devem caminhar na terra como cidadãos do céu, com o coração enraizado em Deus, por meio da oração. Tendo presente esse aspecto, podemos afirmar que a vocação à santidade é chamado divino para transformar o mundo. A atitude de oferecer “sacrifícios espirituais” lembra o ensinamento de Paulo, o qual pede aos romanos que ofereçam seus corpos “como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12:1). Portanto, a resposta à vocação acontece no dia-a-dia da vida das pessoas, no âmbito do desenrolar dos relacionamentos. É preciso, pois, que a santidade seja vivida na busca de comunhão entre as pessoas. Responder ao chamado divino à santidade é participar da construção do Reino de Deus, num mundo cheio de injustiça e de egoísmo. O cristão santificado não é aquele que se afasta do próximo, ao contrário, ele vai em busca dos que ainda não conhecem ao Senhor Jesus Cristo. O santo vai como pacificador ao encontro dos excluídos, para solidarizar-se e para relacionar-se. O próprio Jesus pede ao Pai que não tire os discípulos do mundo, mas que os guarde do Maligno (Jo 17:15). O não se conformar com a mentalidade do mundo, de que fala Paulo (Rm 12:2), não é fugir das pessoas, mas sim afastar-se da cobiça, da ganância, do amor ao dinheiro, que é “a raiz de todos os males” (1 Tm 6:10).

Seguindo esse dinamismo, é possível dizer que a vocação à santidade é o chamado para construirmos novas relações, baseadas na verdade, na justiça, no respeito mútuo, e no amor. É oferecer “sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus” (1 Pd 2:5). De fato, “se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas; eis que se fez uma realidade nova” (2 Co 5:17). O ser “nova criatura” (Gl 6:15) é criação da Trindade: É o Pai, pelo Filho, na força transformadora do Espírito, que faz “novas todas as coisas” (Ap 21:5). Todavia, é sempre a pessoa humana que deve acolher essa ação trinitária e deixar-se transformar (Lc 13:1-5). As pessoas buscam hoje o testemunho, ainda que silencioso, dos cristãos. Querem o Evangelho na prática, e não apenas proclamado solenemente nos púlpitos dos templos cristãos.

A santidade leva necessariamente, o ser humano a ter um comportamento ético e moral, de acordo com sua condição de pessoa que foi consagrada pela unção do Espírito Santo. Não se concebe cristãos santos cujas atitudes negam ser propriedade do Senhor da Vida. Seria uma contradição! O testemunho de santidade, do cristão que faz a vontade do Pai, é indispensável. Somente uma pessoa que se move no ritmo de Deus pode suscitar nas outras o desejo de responder ao chamado divino. O vocacionado, que vive na plenitude da vida cristã, não precisa de muitas palavras para despertar nos outros a consciência e a vontade de seguir a Jesus Cristo porque a sua própria vida já será um apelo à salvação em Cristo.

Por Valdely Cardoso Brito

OS DESAFIOS DA VIDA CRISTÃ

“Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos
e completos, sem faltar em coisa alguma. E, se algum de vós tem falta de sabedoria,
peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada”. (Tiago 1.4 a 5)

  1. O que é vida cristã?

Fala-se muito da vida cristã, mas há ainda muita confusão a respeito.

Definições diversas:

Participar das formalidades da Igreja;

Trabalhar na Igreja;

Dar o dízimo  e ofertas alçadas;

Seguir um código moral;

Conhecer as doutrinas cardiais do Cristianismo.

A vida cristã tem duplo aspecto:

  1. O lado divino → depender da ação divina.
  2. O lado humano → Depender da ação humana

Teorias:

  1. O homem é capaz por seu próprio esforço de viver a vida cristã e Cristo é exemplo a ser imitado (1 Pe 2.21).
  2. O homem é incapaz por seu próprio esforço de viver a vida cristã, mas Cristo capacita (João 15.5).
  3. O homem é incapaz em parte, de viver a vida cristã por seu próprio esforço. Cristo é exemplo a ser imitado e também é quem capacita o cristão (Gl 2.19-20).

EXPLICAÇÃO DA PRIMEIRA TEORIA

Segundo o Novo Testamento o cristão deve: lutar, combater, comer, trabalhar, sofrer, suportar, resistir, mortificar-se… A vida cristã é presente de Deus, mas a apropriação do que Deus nos oferece requer trabalho árduo e esforço vigoroso (Cl 1.29 e 1 Co 9.25-27).

EXPLICAÇÃO DA SEGUNDA TEORIA

Adão tinha uma vida cuja força geratriz era Deus. Depois do pecado ele foi invadido por uma força estranha que passou a dominá-lo e movê-lo (Ef 2.3). O mesmo ocorre conosco e toda a humanidade.

O homem deve confiar em Deus. Ele irá usar o cristão como instrumento Seu, ou seja, o homem confia e Deus age (Rm 6.11-18). Jesus não pede que vivamos a vida cristã. Ele quer vivê-la em nós.

EXPLICAÇÃO DA TERCEIRA TEORIA

Depende do caráter e facilidades da pessoa. Mas Deus não aceita imperfeições (Mt 5.48). E Cristo e o Espírito Santo são a base da vida cristã.

  1. Tiago 4.7: “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resistir ao Diabo, e ele fugirá de vós.” E sê praticante da Palavra (Tg 1.22).
  2. Seguir as pisadas de Jesus: 1Pe 2.11-12 e 21.
  3. Amar a Deus (1 Jo 1.15-17).
  4. Amar ao próximo como prova do amor a Deus (1 Jo 4.19 e 5.5).

Tiago 4.1: “Amados não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”.

Se não se cumprir a orientação de Tiago, prepare-se porque vêm contendas por conta de se ignorar esse conselho bíblico.

Resposta: “Fostes comprado por bom preço; não vos façais servos dos homens” (Rm 7.23).

3 e 4 – a resposta está em: 1 Jo 3.22: “E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista.”

CONCLUSÃO: Shakespeare já dizia: “To be or not to be, that is the question” = Ser ou não ser, eis a questão.

Qual o dogma do Evangelho?

É o dogma do SER: 1 Co 13.1-7. É o amor que faz o ser humano SER. Nosso drama não é o do ser, mas o não ser. À medida que se parte para a ênfase do ter, perde-se o ser porque a fé cristã é totalmente baseada no ter. Hb 11 mostra que a fé profunda e genuína nem sempre é a fé que garante o ter, mas é sempre a fé que garante o ser. O livro de Hebreus fala dos homens que foram, mas não tiveram. Quando a busca do ter é o alvo da vida, o ser se desvanece. Deus e Jesus e o Parakletos querem que o ter seja uma decorrência do ser.

QUATRO VERDADES BÁSICAS DA RELAÇÃO ENTRE TER E SER:

1ª A Palavra de Deus diz que a grande prosperidade humana é advêm do ser (Mt 5.1-12).

2ª O grande sinal do ser se manifesta na dimensão existencial e ética da vida.

Cl 3.1-4 diz: “Coisas lá do alto” são coisas relativas ao ser (Cl 3.5-11). Quer dizer: Façam morrer a inferioridade de suas mentes, pensem grande (Confira: Cl 3.12-17).

3ª A prosperidade do ser não tem necessariamente relação com a prosperidade do ter, e esta, nada tem a ver com a prosperidade do ser. Ex. Abraão foi e teve. Moisés deixou de ter para ser. Elias sempre foi e nunca teve. A bênção de Deus é sempre a riqueza do ser.

4ª A prosperidade material somente tem chance de ser bênção, se marcada pelas características descritas em 1 Tm 6.9-19.

A prosperidade pode ser bênção, quando não inibe a bem-aventurança da humildade do espírito. 1Tm 6.17-18: “Exortem aos ricos para que não sejam orgulhosos, porém humildes”… Que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, guerreiros em dar e prontos em repartir”.

A prosperidade só será bênção de acordo com 1 Tm 6.19: “Que acumulem para si mesmos tesouros sólidos: fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida”.

A teologia da prosperidade é útil se for ensinada dentro do contexto da Palavra de Deus. A grande causa é o ser. O ter aparece como possibilidade. Jesus é o Modelo de Ser.

Por Valdely Cardoso Brito

A DÁDIVA DO PERDÃO

Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas
de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade. Suportando-vos
uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro;
assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. (Cl 3:12-13).

  1. Deus é perdoador

Mt 6:9-15 A Oração do Pai Nosso ensina que o perdão é dever recíproco dos cristãos: Mt 6:12: “Pai perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”  

Ne 9:17: “…ó Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-te…”

Is 43:25: Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro.

Mq 7:19: Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniqüidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar.

  1. Deus nos perdoa. E como é que Deus nos perdoa?

Não mais se lembrando de nossos pecados (Hb 8:12); lançando-os nas profundezas do mar do esquecimento (Mq 7:19); apagando-os completamente (Is 44:22); e daí em diante, age conosco como se nunca tivéssemos cometido qualquer tipo de pecado. Esta é a forma de perdão que todo Cristão deve praticar para com todos àqueles que os tenham ofendido (Ef 4:32, 5:1).

  1. Valor do Perdão

Ex. Jacó e Esaú; José e seus irmãos→ reconciliação recíproca e imediata.

  1. Características do perdão
  2. a) É ilimitado (Mt 21:22): “Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete” ( 22); b) Deve ser sincero (Mt 18:35) .
  3. Os resultados do perdão:
  4. a) Cura espiritual.

Deus tem propósito de vida espiritual saudável para cada cristão, no espírito, no corpo, na mente, na vontade e nas emoções, que só pode ser alcançado com o perdão.

  1. b) Libertação.

O Cristão que perdoa estará liberto das prisões e feridas do pecado, passando a viver em liberdade. O cristão que não perdoa vive preso pelas amarras das mágoas, mas as prisões espirituais são quebradas por Jesus através do perdão.

  1. c) Saúde psicofísica.

Vários tipos de câncer e enfermidades do corpo provêm da falta de perdão, que provocam: ressentimentos, amargura, mágoa, raiva, ódio, desejo de retribuição, tudo isso tanto afeta a alma como todo o corpo, e tira a paz da pessoa.

Leiamos Rm 3.10-18:

10Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.11Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus.12Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.13A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; 14Cuja boca está cheia de maldição e amargura.15Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.16Em seus caminhos há destruição e miséria; 17E não conheceram o caminho da paz.18Não há temor de Deus diante de seus olhos.

A partir desse entendimento, agora, quando Satanás tentar usar alguém para lhe ferir, não aceite permanecer com a ferida, busque a cura através do perdão. Não veja a pessoa que te feriu, mas veja Satanás usando aquela pessoa que você ama para te ferir. A pessoa é apenas um instrumento do Inimigo. Por isso devemos ter em mente que a nossa luta não é contra pessoas, mas contra as forças das trevas que usam as pessoas (Ef 6:12)

Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão (Gl 5.1).

Por Valdely Cardoso Brito